A Ferrari lançou o Luce, o seu primeiro carro 100% elétrico, e a reação dos fãs foi de críticas ao design, ao preço de 550 mil euros e às alegadas táticas de venda. A marca de Maranello disse que a polémica lhe caiu bem.

A chegada do primeiro modelo totalmente elétrico da história da Ferrari, apresentado em Roma, gerou uma onda de reações negativas nas redes sociais, com muitos críticos a considerarem o design pouco reconhecível.

As críticas centram-se especialmente nas proporções do carro e na linguagem estética assinada pelo estúdio LoveFrom, do antigo diretor de design da Apple, Jony Ive, contratado especificamente para desenhar o interior do modelo.

A revista britânica Auto Express chegou mesmo a apelidar o Luce de “o carro da Apple que ninguém queria”.

Curiosamente, a contestação não ficou apenas nas redes sociais. O antigo presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, que liderou a marca durante décadas até 2014, não poupou críticas, afirmando que o Luce arriscava provocar a destruição do mito da marca e sugerindo que deveria ser retirado o icónico “Cavallino Rampante” do carro.

O impacto na bolsa foi real

Ao contrário do que a narrativa de “publicidade gratuita” da Ferrari possa sugerir, a reação não ficou só pelas redes sociais.

No dia seguinte ao lançamento, as ações da Ferrari caíram mais de 8% na bolsa de Milão, chegando a apagar cerca de 5,8 mil milhões de dólares do valor de mercado da empresa. Os títulos recuperaram parte das perdas nos dias seguintes, mas sem regressar totalmente aos valores anteriores ao anúncio.

“Fiquei satisfeito”, disse o diretor de marketing

Em entrevista à Edmunds, Emanuele Carando, diretor global de marketing da Ferrari, reconheceu que a marca esperava uma reação forte e polarizadora, mas admitiu que a dimensão da contestação surpreendeu a própria empresa.

Ainda assim, do ponto de vista de marketing, diz-se satisfeito com o resultado, argumentando que a Ferrari é uma marca amada por todos e que a novidade tende sempre a gerar desconfiança inicial.

Para sustentar esta visão, Carando recorreu a um precedente recente: o lançamento do Purosangue, o primeiro SUV da marca, há quatro anos, que também gerou críticas e comentários irónicos sobre o fundador Enzo Ferrari.

Hoje, conforme sustentado pelo executivo, o Purosangue é um dos modelos mais bem recebidos a nível mundial, e a expectativa é que o mesmo aconteça com o Luce.

O próprio diretor-executivo da Ferrari, Benedetto Vigna, saiu em defesa do preço do modelo, argumentando que a inovação verdadeira tem um custo e que o Luce não tem comparação possível com os elétricos chineses ou de outras marcas.

Ferrari

Porque é que o Luce não é “só” um Purosangue elétrico

Uma das explicações dadas pela Ferrari para o design polémico prende-se com a arquitetura do veículo.

Segundo Carando, a marca poderia ter simplesmente adaptado o Purosangue, substituindo o motor V12 por motores elétricos e uma bateria. Contudo, essa não seria a decisão certa.

Em vez disso, optaram por um habitáculo mais espaçoso, com um capô muito curto, aproximando o condutor do eixo dianteiro, o que permitiria maior precisão nas curvas.

 

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