Após criar trajetória de respeito no cinema de ficção, com obras como “Para viver um grande amor” (1984) e “O xangô de Baker Street” (2001), o carioca Miguel Faria Jr. passou a se dedicar ao cinema documental. Em 2005, lançou “Vinicius”, sobre Vinicius de Moraes (1913-1980), que levou 300 mil espectadores às salas de cinema, um marco entre os documentários pós-retomada. Dez anos depois, realizou “Chico: artista brasileiro” (2015), sobre Chico Buarque. Agora, o cineasta se prepara para concluir sua trilogia com “Tom Jobim — Esse seu olhar”. O filme tem estreia prevista para janeiro de 2027, em meio às comemorações do centenário do maestro Antônio Carlos Jobim, o Tom (1927-1994).

Assim como Vinicius, do qual foi genro — ele foi casado por oito anos com Susana de Moraes (1940-2015) —, e Chico, um de seus grandes amigos até hoje, Faria Jr. teve uma relação próxima com Tom.

— O Tom fez parte da minha vida. Nasci em Ipanema, fui criado com a música dele e depois ficamos muito amigos. Foi uma amizade de bar, de Churrascaria Plataforma (casa fechada desde 2015, no Leblon, que tinha Tom como um de seus clientes habituês), almoçávamos juntos quase todos os dias — lembra Faria Jr., de 81 anos, em entrevista em seu apartamento no Leblon, na Zona Sul do Rio. — Quis fechar essa trilogia com o Tom por achar que ele representa o Brasil que a gente pode ser. O Tom aponta para um Brasil humano, mais fraterno, com menos desigualdade. O filme é sobre este Brasil que na minha mocidade era uma utopia.