É preciso regressar a maio do ano passado, ou até mais cedo, para se começar a contar a história do porquê da Apple ter processado a OpenAI por roubo de informação confidencial. O mítico criador do design do iPhone, Jony Ive, abandonou a Apple em 2019 e no ano passado a startup de Sam Altman desembolsou 6,5 mil milhões de dólares para adquirir a io, startup de hardware co-fundada por Ive.
Estava então decidido que a criadora do ChatGPT se pretendia lançar no mundo do hardware, levantando mesmo rumores de que se preparava para lançar para o mercado vários dispositivos com inteligência artificial, nomeadamente um smartphone capaz de concorrer diretamente com o iPhone.
Agora, a Apple moveu um processo contra a OpenAI, acusando a empresa de Altman de roubo da sua propriedade intelectual. E este processo pode mesmo, de acordo com a Bloomberg, prejudicar o lançamento deste dispositivo concorrente. A Apple acusa a OpenAI de pedir a ex-funcionários e a candidatos sobre informações sobre produtos que a empresa da maçã ainda não lançou para o mercado mas que estavam na calha.
E como é que esta situação se relaciona com Jony Ive? É que a OpenAI terá utilizado uma lista de verificação desenvolvida pelo antigo designer do iPhone para contornar os passos de segurança, permitindo o alegado roubo. Assim, a Apple pretende uma indemnização por danos e quer que a justiça obrigue a OpenAI a interromper todos os desenvolvimentos e a destruir qualquer material que tenha tido origam na empresa de Cupertino.
Assim, e ainda que as medidas legais possam demorar anos, a Apple pretende a suspensão imediata de tudo o que a OpenAI já criou de “hardware”, o que impacta o desenvolvimento de produtos. Isso pode significar então um atraso para a startup de Altman, cujas fontes de rendimentos têm surgido dos planos pagos do ChatGPT e de rondas de financiamento, sendo que os gastos se têm vindo a acumular.
Neste momento, a OpenAI soma contratações de mais de 400 funcionários que abandonaram a Apple, após terem sido atraídos por remunerações elevadas. Um elevado número destes funcionários pertencia mesmo à divisão de hardware de Cupertino, nomeadamente os responsáveis pelo iPhone, Apple Watch ou AirPods.
Mesmo com o processo entregue num tribunal da Califórnia, a OpenAI acredita continuar a ter capacidade para anunciar o seu primeiro produto – que se desconhece o que seja – ainda este ano, lançando-o para o mercado em 2027. Segundo a Bloomberg, a criadora do ChatGPT explorou mesmo várias categorias de produto, incluindo vários wearables, sendo que o objetivo final é chegar a um concorrente direto do iPhone.
Importa lembrar que este é um momento crítico para os fabricantes de smartphones, uma vez que a cadeia de produção tem vindo a ser pressionada devido ao preço de alguns componentes. A Apple aumentou recentemente o preço de alguns dos seus equipamentos, nomeadamente MacBooks e iPads, em até 400 euros, sendo que se estima que o iPhone a ser apresentado em setembro irá verificar um incremento do seu preço de lançamento.