A Europa criou tarifas para equilibrar o mercado automóvel. O objetivo era claro, mas o resultado ficou aquém do esperado. Os carros elétricos das marcas chinesas mantêm vantagem expressiva e custam menos 21% do que as alternativas europeias. As novas taxas travaram o volume de viaturas importadas, mas o fosso nos preços permanece inalterado.

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Elétricos chineses 21% mais baratos na Europa

No primeiro trimestre de 2026, os elétricos produzidos na China asseguraram 17% do mercado europeu. Este valor representa uma descida face aos 22% registados no início de 2024. Contudo, os números revelam uma realidade paralela. Esta queda reflete sobretudo a ação de construtores ocidentais, como a Tesla, a BMW ou a Volvo. Anteciparam problemas e transferiram parte da sua produção de volta para a Europa.

As marcas asiáticas absorvem agora mais de metade destas importações. O impacto fiscal também dita vencedores e vencidos. A SAIC lida com uma pesada taxa de 35% e viu as exportações cair para metade. Por outro lado, a BYD, sujeita a apenas 17%, aproveitou a margem para duplicar os seus envios.

Para contornar as restrições, a estratégia do Oriente já mudou. Desde o final de 2023, as marcas chinesas anunciaram a construção de dez fábricas em solo europeu. Fabricar localmente é a resposta financeira perfeita. Permite evitar a grande maioria dos impostos, corta drasticamente nos custos logísticos e garante preços imbatíveis para o consumidor final.

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A falha nas baterias dos carros muda paradigma

Existe ainda uma falha evidente nas regras criadas por Bruxelas. As tarifas penalizam os veículos completos, mas deixam as baterias quase isentas de impostos. Entre 2020 e 2025, a importação europeia deste componente multiplicou por sete. Um carro elétrico pode ser montado na Europa usando baterias fabricadas na Ásia. Aplicar uma taxa de 20% a estas baterias faria subir o preço dos elétricos europeus em cerca de 2,8%, visto que os construtores locais dependem fortemente desta tecnologia externa.

Os modelos híbridos plug-in surgiram como uma via de escape de enorme sucesso. Como as pesadas taxas se focam nos elétricos puros, as fabricantes chinesas apostaram em força nesta alternativa. A sua quota de mercado neste segmento saltou de 3% para 13% em apenas dois anos.

As medidas da Europa forçaram o regresso de alguma produção e travaram importações diretas, mas falharam a meta de equiparar os preços. Projeções recentes apontam que, caso a União Europeia decida aliviar as atuais metas de emissões, as marcas chinesas poderão vir a dominar 30% do mercado de veículos elétricos até 2035.