O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, admitiu esta quarta-feira que, com a revisão em alta da população residente em Portugal, o produto interno bruto (PIB) per capita deverá sofrer uma “redução substancial”. Pelas contas do Governo, o PIB per capita revisto deverá ficar “na ordem dos 80%” face à média europeia, o que aponta para 30 anos a “marcar passo” na convergência europeia.


“As alterações que o INE [Instituto Nacional de Estatística] fez nos últimos dados da população vieram alterar várias séries estatísticas, designadamente o nosso PIB per capita – a riqueza que cada português produz e consome. Introduziram um elemento novo: um acréscimo significativo da população que não estava previsto e, portanto, uma redução do PIB per capita substancial“, começou por referir o ministro, em audição regimental na Assembleia da República.


Porém, destacou que “falta ainda mexer no valor do produto”, pelo que não é possível calcular ainda com exatidão o PIB per capita. “Enquanto não estiver afinado o valor global da alteração da população e do produto, [não é possível perceber] o que aconteceu ao valor do PIB per capita e compará-lo com as médias europeias”, disse.


Ainda assim, o Governo avança já com uma estimativa. “Há um valor que podemos calcular na ordem dos 80% que há de ser a nossa referência para o PIB per capita, em paridade de poder de compra, face à média europeia. Mais coisa, menos coisa. Os números não estão ainda afinados, mas quando vierem os números finais do INE não deixarão de estar muito distantes deste valor”, garantiu o ministro da Economia.


Com base nessa estimativa, Manuel Castro Almeida salientou que “Portugal não avançou no indicador do PIB per capita, em paridade de poder de compra, face à média europeia”. “Foram 30 anos a marcar passo em matéria de PIB per capita“, disse.


Apesar disso, afirmou que, nos últimos anos, o PIB português tem estado a crescer acima da média europeia e, nos primeiros três meses do ano, Portugal teve um crescimento “substancialmente acima da Zona Euro”. No primeiro trimestre deste ano, Portugal registou um crescimento homólogo de 2,3% em Portugal, o que compara com um crescimento de 0,3% na Zona Euro.


Além do PIB per capita, a revisão em forte alta das estimativas de população feita pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no final de junho, vai obrigar a rever outros indicadores económicos e sociais. Segundo as novas estimativas do INE, a população residente em Portugal estaria em 11.424.031 indivíduos, a 31 de dezembro de 2025, um valor acima dos cerca de 10 milhões contabilizados anteriormente. O aumento da imigração é a principal explicação para esta subida.