O setor industrial alemão corre o risco de sofrer interrupções, dado que a seca tem afetado o rio Reno, dificultando o transporte pela via navegável interior mais importante do país, o que ensombra as perspetivas de recuperação da maior economia da Europa. Quem o diz é Fabian Spiess, vice-diretor da Associação Alemã de Vias Navegáveis Interiores (BDB), sublinhando à Bloomberg que “os níveis das águas do Reno baixaram a tal ponto que as embarcações são obrigadas a reduzir a sua carga, o que encarece os custos de transporte”. 


Este cenário constitui um problema para fabricantes como a Thyssenkrupp e a BASF, que dependem do transporte por barco de mercadorias como o carvão, crude e produtos químicos. 


Segundo a Thyssenkrupp, a sua fábrica em Duisburgo já foi afetada, uma vez que a siderúrgica teve de suspender o seu próprio serviço de rebocadores e recorrer a navios externos capazes de navegar com os níveis atuais das águas. Já a BASF teve de aumentar o número de navios em serviço, uma vez que se vê obrigada a operar com capacidade reduzida. 


A seca leva, por vezes, a que as águas do Reno atinjam níveis tão baixos que é possível ver as chamadas “pedras da fome” – seixos do leito do rio que, quando ficam visíveis, recebem inscrições por parte da população, com a respetiva data, para que se saiba que por essa altura os níveis de água estavam criticamente baixos – funcionando também como advertências sobre períodos de seca e fome. A última vez foi em 2018 – com as águas do Reno em níveis muito baixos durante meses, o que penalizou fortemente a economia alemã.


“Outro período prolongado de baixos níveis de água irá provavelmente afetar negativamente a produção industrial, agravando os desafios que um setor já enfraquecido enfrenta e representando riscos de revisão em baixa para a nossa previsão de uma recuperação gradual na sequência do choque dos preços da energia”, afirmou Martin Ademmer, da Bloomberg Economics, numa nota divulgada nesta quarta-feira. 


A produção industrial recuou em maio 1,2% na Zona Euro e 0,3% na União Europeia (UE), face ao mês homólogo, divulgou nesta quarta-feira o gabinete europeu de estatísticas, Eurostat.