Durante 11 anos esteve ali, praticamente à vista de todos. Entretanto, foi possível perceber que as imagens antigas escondiam um dos exoplanetas mais ténues alguma vez captados diretamente a partir da Terra.
Durante mais de dez anos esteve ali, escondido entre milhares de observações astronómicas, sem que ninguém desse por ele. Agora, uma equipa internacional de astrónomos encontrou um terceiro planeta a orbitar a estrela Beta Pictoris, numa descoberta que não só aumenta a família deste sistema planetário, como estabelece um novo marco na observação direta de exoplanetas.
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Batizado como Beta Pictoris d, o novo mundo surgiu quase por acaso, e com o auxílio do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO). Os investigadores estavam a estudar com mais detalhe Beta Pictoris b, o primeiro planeta descoberto neste sistema, para perceber como o seu brilho varia ao longo do tempo. No entanto, ao analisarem cuidadosamente as imagens, repararam num pequeno ponto de luz que não correspondia a nenhum dos objetos conhecidos.
A surpresa foi ainda maior quando decidiram consultar observações antigas. Nos arquivos científicos do ESO encontraram o mesmo planeta escondido em imagens captadas há 11 anos, incluindo uma em que aparecia praticamente confundido com o brilho do seu vizinho maior, Beta Pictoris b. Afinal, o planeta esteve sempre ali, mas só agora a tecnologia e uma análise mais atenta permitiram identificá-lo.
Embora seja um gigante gasoso, semelhante a Júpiter ou Saturno, Beta Pictoris d distingue-se dos seus “irmãos” por ter uma órbita maior e ser muito menos massivo. Enquanto os planetas Beta Pictoris b e Beta Pictoris c têm cerca de dez vezes a massa de Júpiter, o recém-descoberto tem apenas 2,4 vezes essa massa, tornando-se um dos exoplanetas de menor massa alguma vez captados diretamente a partir da Terra.
Este planeta é também relativamente frio e, por isso, extremamente “discreto”. Beta Pictoris d é cerca de 100 vezes mais ténue do que Beta Pictoris b, o que faz dele o exoplaneta mais fraco alguma vez fotografado diretamente por um telescópio terrestre, quando corrigida a distância ao sistema. Como a obtenção de imagens diretas depende de conseguir distinguir a luz do planeta do brilho muito mais intenso da sua estrela, captar um objeto tão pouco luminoso representa um feito técnico significativo.
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A primeira deteção clara foi realizada com o instrumento ERIS, montado no VLT, mas a descoberta acabou por receber uma confirmação independente. Uma segunda equipa, liderada por investigadores da Universidade da Califórnia, identificou o mesmo planeta com recurso ao Telescópio Espacial James Webb. Os dois estudos foram publicados em simultâneo na revista científica The Astrophysical Journal Letters.
A descoberta faz também de Beta Pictoris apenas o segundo sistema planetário, depois de HR 8799, onde foi possível obter imagens diretas de mais de dois exoplanetas. Estes sistemas são especialmente valiosos para os astrónomos porque permitem comparar planetas que nasceram no mesmo ambiente e compreender melhor a forma como evoluem.
Além disso, Beta Pictoris d é poderá resolver um antigo enigma deste sistema. A sua massa e órbita correspondem ao que os modelos previam para explicar a estrutura invulgar do disco de detritos que rodeia a estrela, composto pelos restos da formação planetária.
Veja o vídeo partilhado pelo ESO
Os investigadores acreditam que muitas outras descobertas poderão estar literalmente escondidas em observações já realizadas, à espera de serem encontradas com novas técnicas de análise e instrumentos cada vez mais sensíveis, como será o caso do futuro Extremely Large Telescope, salienta a equipa do ESO.
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Imagem VLT do exoplaneta Beta Pictoris d. A estrela foi subtraída durante o processamento dos dados, revelando assim o meio que a rodeia. O novo planeta, indicado por uma seta, é o terceiro a ser descoberto em torno desta estrela.
O exoplaneta Beta Pictoris d observado ao longo dos anos
Mapa do céu em torno de Beta Pictoris
Em torno de Beta Pictoris