
Invasoras estão a transmitir doenças fatais aos carneiros-selvagens do Texas. Taxas de mortalidade podem atingir os 80%.
Uma espécie invasora de ovino introduzida nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial pode estar a transmitir agentes patogénicos respiratórios aos carneiros-selvagens nativos do Texas.
Segundo uma recente investigação, os surtos de pneumonia provocados por estas ovelhas chegam ao Texas com taxas de mortalidade que podem atingir os 80%.
Conhecido como aoudad ou carneiro-da-barbária (Ammotragus lervia), o animal pode permanecer infetado durante longos períodos sem apresentar sintomas evidentes. O estudo publicado na Scientific Reports concluiu que estes ovinos transportam bactérias capazes de causar doença grave nos carneiros-selvagens, cuja probabilidade de sobrevivência pode ser de apenas uma em cinco.
Os gestores de vida selvagem suspeitam desta ameaça desde o final da década de 1970, mas os riscos tinham sido pouco estudados, explicou Logan Thomas, biólogo da Kansas State University e coautor da investigação, em comunicado.
Os aoudads chegaram ao oeste do Texas pouco depois da Segunda Guerra Mundial, levados por veteranos norte-americanos que regressaram do Norte de África e pretendiam criá-los para caça. Desde então, a população aumentou mais de 1800%, estimando-se que existam atualmente cerca de 30 mil exemplares na região.
Além de competirem por alimento com os cerca de 1500 carneiros-selvagens que ainda vivem no estado, os aoudads podem transmitir agentes patogénicos como Mycoplasma ovipneumoniae e bactérias da família Pasteurellaceae, explica a Popular Science.
Para avaliar o impacto das infeções, investigadores expuseram carneiros-selvagens nativos aos agentes patogénicos transportados pelos aoudads. Os resultados mostraram que os animais invasores apresentam poucos sinais de doença, enquanto os carneiros-selvagens desenvolvem sintomas muito mais graves.
Segundo Thomas, esta diferença poderá dever-se ao facto de os aoudads terem evoluído em contacto com estes microrganismos, adquirindo maior resistência, ao contrário das populações nativas norte-americanas.
Uma análise a 351 aoudads em liberdade no Texas revelou que quase 10% transportavam ADN de M. ovipneumoniae e mais de 55% tinham anticorpos resultantes de uma exposição anterior. Os animais jovens parecem ainda libertar maiores quantidades de agentes patogénicos do que os adultos.
As conclusões já alteraram as estratégias de conservação no Texas. Mais de 70 carneiros-selvagens não infetados foram recentemente transferidos para o Franklin Mountains State Park, em El Paso, uma zona onde é pouco provável que entrem em contacto com aoudads. Mas todos os exemplares desta espécie invasora devem ser considerados um possível risco, precisamente por poderem estar infetados sem aparentarem estar doentes.