O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) fez esta quinta-feira uma atualização do conhecido fenómeno de aquecimento das águas do Pacífico equatorial, que provoca alterações no clima a nível mundial – o El Niño.

Na sua comunicação, o IPMA cita o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA), dos Estados Unidos, para dizer que o indicador de temperatura já está na fase “El Niño” e que a temperatura está 1,2ºC acima do normal.

Focado no chamado índice ENSO, que é um indicador que mede o estado do fenómeno de interação oceano-atmosfera. Com ele identifica-se se o mundo está perante um “El Niño“, se as temperaturas na superfície do mar estão acima do normal, perante “La Niña“, se estão inferiores ao normal, ou em fase neutral, quando as temperaturas estão nos valores normais.

No seu comunicado, o IPMA diz que as previsões de diversos modelos apontam para que ao longo das próximas semanas haja uma probabilidade superior a 99% de persistência de um episódio deEl-Niñoaté ao início de 2027.
É também apontada uma probabilidade superior a 80% de se verificar um fenómeno de “El-Niño” muito forte.

Importa salientar que embora o IPMA reafirme que o fenómeno ocorre no Oceano Pacífico, ele pode influenciar significativamente os padrões climáticos à escala global.
Os efeitos do fenómeno de “El-Niño” em Portugal não são diretos nem estatisticamente significativos, mas o IPMA continuará a acompanhar a evolução da situação e divulgar atualizações sempre que se justifique.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), que corrobora a informação do CPC/NOAA, alerta para, dada a intensidade do fenómeno, o aumento dos riscos de ocorrência de eventos climáticos extremos, especialmente na faixa tropical e equatorial.

Entre estes impactos incluem-se ondas de calor, episódios de seca e eventos de precipitação intensa, principalmente na faixa equatorial do planeta, diz a OMM, citada também pelo IPMA.

Primeira onda de tempestades potencializadas pelo El Niño atinge Brasil

Entre esta quinta-feira e hoje (sexta-feira, 17), a primeira onda de tempestades associada ao fenómeno El Niño começa a fazer-se sentir em diversas regiões do Brasil.

Segundo a previsão do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), o fenómeno favorece um maior transporte de calor e humidade para a região Sul, contribuindo para a formação de áreas de instabilidade sobre o Rio Grande do Sul.

Além de chuvas intensas, ventos moderados a fortes, também atingem partes do Sul e do Centro-Oeste, no Nordeste, a frente fria posicionada sobre o Oceano Atlântico mantém condições de chuva na faixa leste da região, enquanto ventos moderados atuam em diversos estados da região.