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Marla-Svenja Liebich, a neonazi anteriormente conhecida como Sven Liebich

Condenada quando ainda era legalmente homem, Liebich alterou o género registado depois de a Lei da Autodeterminação alemã ter entrado em vigor, em 2024.

A ativista neonazi alemã Marla-Svenja Liebich foi transferida para uma prisão masculina depois de ter sido extraditada da República Checa para a Alemanha, informaram esta quinta-feira as autoridades.

Liebich, que chegou à Alemanha esta quarta-feira, foi inicialmente encaminhada para a prisão feminina de Chemnitz, no estado da Saxónia. Ainda no mesmo dia, segundo a Reuters, foi transferida para o estabelecimento prisional masculino de Zeithain, no distrito de Meissen.

Segundo o Ministério da Justiça da Saxónia, a decisão foi tomada pela administração prisional, após uma avaliação realizada em articulação com especialistas. A ministra da Justiça não participou na decisão.

“É positivo que a prisão tenha esclarecido rapidamente a situação e não se tenha deixado envolver em encenações”, afirmou a ministra da Justiça da Saxónia, Constanze Geiert.

A alteração legal do género de Liebich gerou polémica na Alemanha, nomeadamente devido às regras que determinam a colocação de pessoas presas em estabelecimentos masculinos ou femininos.

Liebich foi condenada em primeira instância, em julho de 2023, a 18 meses de prisão sem pena suspensa, por crimes que incluíam incitamento ao ódio, difamação e injúria. A condenação tornou-se definitiva em maio de 2025, depois de o Tribunal Regional Superior de Naumburgo ter rejeitado o último recurso.

A Lei da Autodeterminação relativa ao Registo de Género entrou em vigor em 1 de novembro de 2024. O diploma permite alterar o nome próprio e a menção do género no registo civil através de uma declaração perante o serviço de registo competente, sem necessidade de uma decisão judicial ou de pareceres periciais.

Depois de Liebich ter alterado legalmente o registo, as autoridades encaminharam-na inicialmente para a prisão feminina de Chemnitz. A colocação definitiva, contudo, dependia de uma avaliação individual pela administração prisional, que podia considerar a segurança do estabelecimento e dos restantes reclusos.

Liebich não se apresentou para cumprir a pena em agosto de 2025 e pôs-se em fuga. Foi detida pela polícia checa em abril de 2026, numa localidade próxima da fronteira alemã.

Numa audiência de extradição realizada em maio, na República Checa, afirmou que se opunha ao regresso à Alemanha por recear ser colocada numa prisão masculina.