
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) informou que assumiu oficialmente a liderança da investigação sobre o acidente envolvendo um Boeing 737 da Ryanair, após uma reavaliação da trajetória da aeronave determinar que a ocorrência aconteceu em espaço aéreo da Grécia.
Segundo o órgão americano, análises adicionais do trajeto do voo permitiram concluir que o acidente ocorreu em território sob jurisdição grega. Com isso, passou a ser aplicada a regra prevista no Anexo 13 da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), que permite ao país onde ocorreu o acidente delegar a investigação a outra autoridade.
A Autoridade Helênica de Investigação de Segurança Aérea e Ferroviária decidiu delegar a condução da investigação ao NTSB, que aceitou a responsabilidade e passou a liderar oficialmente os trabalhos.
O caso ocorreu em 10 de julho, quando uma janela da cabine de passageiros do 737 da Ryanair se quebrou violentamente, causando uma descompressão explosiva. Um passageiro de 61 anos, de origem sérvia, foi parcialmente sugado para fora da aeronave, mas foi puxado de volta por outros passageiros a bordo.
O avião envolvido era um Boeing 737-800 de 18 anos. De acordo com o Airnav Radar, o voo FR-1879 decolou às 6h12 e alcançou uma altitude máxima de cerca de 16.400 pés antes de iniciar uma descida abrupta para 6.000 pés devido ao incidente.
Imagnes posteriores mostram que palhetas do motor se quebraram, assim como boa parte da carenagem foi danificada, antes de destroços atingirem a janela da aeronave, que se rompeu e fez com que o passageiro saísse parcialmente para fora do Boeing.
O caso tem muitas similaridades com o voo 1380 da Southwest Airlines, ocorrido em abril de 2018 com um 737-700 que voava entre Nova York e Dallas, quando, por causa de uma rachadura provocada por fadiga, uma das palhetas do motor se rompeu. Esse componente atingiu uma área mais frágil da carenagem do motor, incluindo o retentor da trava traseira da carenagem, que se desprendeu e voou em direção à janela, que foi quebrada e fez com que uma passageira fosse sugada para fora da aeronave. Nesse caso, porém, nos Estados Unidos, a passageira não sobreviveu.
Após esse acidente de 2018, que já teve sua investigação concluída pela própria NTSB, o que pode ter levado os gregos à delegarem aos americanos a investigação, mudanças foram feitas no projeto da carenagem e nos procedimentos de manutenção do motor, assim como em métodos para identificar fadigas antes que elas se tornem catastróficas. Porém, o prazo final estabelecido pela americana FAA é até o fim de 2028, e não está claro se o motor CFM56 que equipava o 737 da Ryanair no caso de hoje recebeu alguma dessas modificações ou se elas eram aplicáveis ao modelo.
Embora a investigação esteja sob comando da agência americana, a Grécia continuará participando do processo como representante credenciada, conforme estabelece o Anexo 13 da ICAO.
O NTSB não divulgou, na publicação, novos detalhes sobre as circunstâncias do acidente ou o andamento da investigação, limitando-se a informar a mudança na autoridade responsável pela condução do caso. Também não informou se um Relatório Preliminar será divulgado em 30 dias, seguindo as regras da ICAO, que é seguida majoritariamente somente pelo próprio NTSB.
Following further analysis of the Ryanair Boeing 737 flight track, investigators determined that the accident occurred in Greek airspace. Under the provisions of ICAO Annex 13, which allow the country in which the accident occurs to delegate an investigation, the Hellenic Air and… https://t.co/v1m0LbeGTt
— NTSB Newsroom (@NTSB_Newsroom) July 16, 2026