A residência de Ridwan Kamil, em Bandung, na Indonésia, utiliza 30 mil garrafas recicladas em paredes internas e externas. A casa de garrafas levou dois anos para ficar pronta, recebeu o material coletado durante seis meses e combina pátios, aberturas e isolamento para reduzir iluminação e climatização durante o dia.
Uma casa de garrafas construída em Bandung, na Indonésia, transformou 30 mil embalagens descartadas em parte relevante de sua arquitetura. Projetada pelo arquiteto Ridwan Kamil para viver com a família, a residência utiliza as garrafas em paredes internas, elementos externos e aproximadamente 60% da superfície da fachada.
O projeto foi apresentado por Ridwan em reportagem televisiva e descrito pela revista Architectural Digest em matéria publicada em 13 de junho de 2017. Segundo as fontes, a coleta durou seis meses e a construção completa levou dois anos.
Garrafas descartadas viraram material de construção

As 30 mil unidades eram garrafas marrons de bebidas energéticas encontradas nas ruas e em áreas de descarte da Indonésia.
Ridwan explicou que o país não possuía um sistema de reciclagem capaz de absorver todo aquele material. Em vez de tratar as embalagens apenas como lixo, ele decidiu incorporá-las à casa que construiria para a família.
Parte das unidades foi recolhida em lixões de Bandung e de cidades próximas, como Jacarta, Tasikmalaya e Cirebon. Catadores também foram contratados para completar a quantidade necessária.
Coleta levou aproximadamente seis meses

O arquiteto informou que precisou de seis meses para reunir as garrafas usadas na residência.
O processo contribuiu para ampliar o prazo total da obra. Enquanto uma casa convencional poderia ser concluída em menos tempo, o projeto exigia selecionar, organizar e adaptar milhares de peças de formato semelhante.
A coleta não foi uma etapa paralela sem impacto no cronograma, mas parte central da construção.
Obra demorou dois anos para ficar pronta
Ridwan afirmou que a casa levou dois anos para ser concluída.
O prazo incluiu o recolhimento das garrafas, o desenvolvimento das paredes, a fabricação de peças de acabamento e a execução dos diferentes ambientes.
A fonte não apresenta datas exatas de início e término da construção, mas a residência já havia sido publicada pela Architectural Digest em 2009.
Casa de garrafas ocupa terreno em Bandung

A residência foi construída em Bandung, na região de Java Ocidental, onde Ridwan vivia com a esposa, Atalia, e os filhos.
O terreno possui formato trapezoidal e área aproximada de 373 metros quadrados. A construção tem cerca de 320 metros quadrados de área interna, segundo uma das descrições arquitetônicas fornecidas.
A organização da planta busca reproduzir a sensação de um resort tropical dentro de um lote urbano.
Duas construções são separadas por pátio central
A casa é formada por volumes separados por um pátio interno.
Ridwan explicou que o espaço divide duas alas e permite que o ar circule entre os ambientes. A configuração estreita dos blocos também favorece a entrada de luz por lados diferentes.
O pátio não funciona apenas como elemento estético, mas como parte do sistema passivo de conforto ambiental.
Fachada utiliza cerca de 60% de garrafas
As garrafas formam aproximadamente 60% da superfície externa da residência.
Elas aparecem no muro perimetral, em partes da fachada e em paredes próximas aos quartos, à sala de jantar e à biblioteca.
O material também foi aplicado no interior, incluindo paredes do pavilhão de hóspedes e do espaço de trabalho do arquiteto.
Ridwan escolheu as embalagens porque eram pequenas, uniformes e apresentavam tonalidade marrom.
A cor foi combinada com madeira clara e escura, além de elementos metálicos pintados em tons semelhantes. O que havia sido descartado passou a integrar deliberadamente a composição visual da casa.
A repetição das garrafas cria padrões que mudam conforme a incidência da luz natural.
Tampas de madeira substituíram peças perdidas
As tampas metálicas originais já haviam sido retiradas das embalagens quando elas foram encontradas.
Para completar os elementos usados nas paredes, Ridwan desenhou e produziu novas tampas de madeira.
O detalhe mostra que a reutilização exigiu adaptações específicas, e não apenas o empilhamento direto das garrafas recolhidas.
Luz atravessa e reflete nas paredes
Durante o nascer e o pôr do sol, as garrafas direcionam e refletem a luz no interior.
Ridwan comparou o efeito ao de pequenos espelhos. As paredes deixam de ser superfícies opacas e passam a modificar a iluminação conforme o horário do dia.
A tonalidade marrom também produz sombras e padrões que reforçam a atmosfera planejada para a residência.
Pátios reduzem necessidade de iluminação artificial
A planta estreita e a presença dos pátios permitem que a luz entre por diferentes lados dos ambientes.
Segundo o arquiteto, as lâmpadas raramente precisam ser usadas durante o dia. Janelas, portas de correr e superfícies transparentes ampliam a iluminação natural.
A economia de energia resulta da combinação entre orientação, aberturas e distribuição dos espaços, não apenas das garrafas.
Ventilação cruza diferentes ambientes
Portas, janelas e painéis podem ser completamente abertos para permitir a passagem do vento.
A residência possui um pátio principal e áreas verdes menores que ajudam a criar caminhos de ventilação. A água da piscina e de outros elementos externos também contribui para resfriar o ar que entra.
Ridwan afirmou que o vento e a luz natural são características fundamentais de uma casa saudável.
Garrafas funcionam como camada de isolamento
O arquiteto suspeitava que o ar preso dentro das embalagens poderia reduzir a transferência de calor para os ambientes.
Posteriormente, um estudante do Departamento de Arquitetura da Universidade Católica Parahyangan realizou um estudo sobre a temperatura nos cômodos.
A análise indicou que o calor era retido nas garrafas e tinha dificuldade para alcançar o interior, especialmente onde havia espaço entre a parede de vidro e a camada externa de embalagens.
Espaço entre vidro e garrafas bloqueia calor
Em determinadas áreas, os painéis de garrafas foram instalados diante de paredes de vidro, deixando uma separação aproximada de 60 centímetros.
Essa camada cria uma barreira adicional contra a radiação solar direta. O sistema também permite abrir partes dos painéis para favorecer a ventilação.
Segundo Ridwan, a combinação impede que grande parte do calor do sol seja transferida para dentro dos quartos e de outros espaços.
Residência foi projetada sem ar-condicionado
A Architectural Digest descreveu a casa como completamente livre de ar-condicionado.
Em dias quentes, a temperatura interna permanecia próxima de 75 graus Fahrenheit, cerca de 24 °C, conforme o levantamento mencionado pelo arquiteto.
O conforto térmico foi alcançado por estratégias passivas, como ventilação cruzada, pátios, sombreamento, água e isolamento.
A fonte não apresenta medições contínuas de todas as estações do ano, portanto o desempenho pode variar conforme clima e ocupação.
Piscina ajuda a resfriar o ar
Uma piscina está localizada na parte frontal do terreno, próxima a áreas abertas da residência.
Ridwan explicou que a brisa passa sobre a água e carrega ar mais fresco em direção ao pátio e aos ambientes internos.
Esse mecanismo complementa a ventilação natural e reforça a atmosfera de resort desejada desde a infância pelo arquiteto.
Madeira veio de florestas sustentáveis
O interior utiliza madeira merbau no piso e no teto de alguns ambientes.
A publicação informa que o material veio de florestas manejadas de forma sustentável. A madeira cria contraste com paredes claras, vidro, metal e as garrafas marrons.
O projeto combinou material reciclado com escolhas convencionais orientadas por critérios ambientais.
Áreas verdes foram distribuídas pela residência
A casa possui pelo menos cinco pequenos espaços destinados ao cultivo de plantas e flores.
Parte do muro junto à piscina utiliza vasos empilhados, enquanto um pequeno pavilhão recebeu cobertura verde.
Também existiam planos para transformar outro teto plano em área vegetal, embora a fonte não confirme se essa etapa foi concluída.
Limpeza das garrafas exige manutenção periódica
Ridwan reconheceu que a manutenção representa um dos principais desafios do projeto.
As paredes de garrafas precisam ser limpas aproximadamente a cada três meses. Algumas áreas contam com espaços estreitos de acesso destinados a esse trabalho.
O reaproveitamento reduziu o descarte, mas criou uma rotina de conservação que uma parede convencional não exigiria da mesma maneira.
Projeto nasceu de experiência internacional
Ridwan Kamil formou-se em arquitetura pelo Instituto de Tecnologia de Bandung e concluiu mestrado em desenho urbano na Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Antes de retornar à Indonésia, trabalhou no exterior, inclusive em Baltimore e Nova York. Em 2004, fundou o escritório Urbane.
A residência reuniu referências profissionais, memórias familiares e o desejo de criar um ambiente semelhante a um resort.
Material reciclado também virou mensagem
Para Ridwan, o significado da obra era simples: resíduos podem adquirir utilidade quando existe imaginação e planejamento.
Ele defendia que uma casa deveria consumir menos energia, utilizar materiais reaproveitáveis e estimular hábitos cotidianos de economia.
A casa de garrafas não apresenta o reaproveitamento apenas como decoração, mas como parte de uma visão arquitetônica mais ampla.
Garrafas podem substituir materiais tradicionais?
O projeto demonstra que objetos descartados podem assumir funções de fachada, sombreamento, isolamento e composição visual.
Entretanto, a residência também depende de vidro, aço, concreto, madeira, aberturas planejadas, pátios e manutenção constante. As garrafas fazem parte de um sistema arquitetônico completo e não funcionam isoladamente como solução universal.
Cada aplicação semelhante precisaria considerar clima, segurança, limpeza, resistência e normas locais de construção.
Casa de garrafas pode inspirar novas construções?
Ridwan Kamil reuniu 30 mil embalagens durante seis meses e levou dois anos para transformar o material em paredes que cobrem grande parte da fachada.
A residência aproveita iluminação e ventilação naturais, reduz a transferência de calor e dispensa climatização mecânica na experiência relatada pelas fontes. Você moraria em uma casa construída parcialmente com materiais retirados de lixões? Conte nos comentários quais resíduos poderiam ser reaproveitados com segurança na arquitetura brasileira.