A Antártida voltou a demonstrar porque é o continente mais frio do planeta.
No dia 18 de julho de 2026, a estação científica Concordia, situada no planalto antártico, registou uma temperatura do ar de -84,1 °C, um dos valores mais baixos observados nos últimos anos.
A imagem, baseada em dados do modelo meteorológico GFS, mostra uma enorme massa de ar extremamente frio instalada sobre o interior da Antártida, onde as temperaturas desceram muito abaixo dos -80 °C.
Porque é que a Antártida fica tão fria?
O interior da Antártida reúne condições únicas que favorecem temperaturas extremas:
- Está a mais de 3.200 metros de altitude em muitas zonas.
- Durante o inverno austral, o Sol permanece abaixo do horizonte durante meses.
- O ar é extremamente seco, contendo muito pouco vapor de água, que normalmente ajuda a reter calor.
- A neve e o gelo refletem grande parte da radiação solar, impedindo o aquecimento da superfície.
Quando estas condições coincidem com uma atmosfera muito estável e praticamente sem vento, forma-se uma verdadeira “bolsa” de ar gelado sobre o continente.
Concordia, na Antártida, registou uma temperatura mínima de -84,1 °C, apenas 0,5 °C acima do seu recorde histórico de temperatura mais baixa. Os relatórios sugerem que esta é a temperatura mais baixa registada na Terra desde 2012, uma onda de frio bastante severa, mesmo para os padrões da Antártida.
O que é a estação Concordia?
A estação Concordia é uma base científica franco-italiana localizada no Dome C, um dos pontos mais elevados do planalto antártico.
É considerada um dos locais mais inóspitos da Terra, sendo frequentemente utilizada para estudos sobre:
- alterações climáticas;
- glaciologia;
- astronomia;
- medicina em ambientes extremos;
- preparação de missões espaciais de longa duração.
Durante o inverno, a base permanece praticamente isolada durante vários meses, com uma pequena equipa de investigadores.
Está perto do recorde absoluto?
Apesar de impressionante, -84,1 °C não representa o recorde absoluto da Antártida.
O recorde oficialmente reconhecido pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) continua a ser de -89,2 °C, registado na estação russa Vostok, a 21 de julho de 1983.
No entanto, medições por satélite já identificaram temperaturas da superfície da neve próximas dos -98 °C em depressões do planalto antártico.
Estes valores, porém, referem-se à temperatura da superfície e não à temperatura do ar medida a dois metros de altura, pelo que não são considerados recordes meteorológicos oficiais.
Um fenómeno típico do inverno austral
Julho corresponde ao pico do inverno no hemisfério sul e é precisamente nesta altura que o interior da Antártida costuma atingir as temperaturas mais baixas do ano.
A imagem de capa evidencia uma vasta área com temperaturas inferiores a -70 °C, mostrando como o ar polar permanece praticamente confinado ao continente graças ao forte vórtice polar antártico.
Embora valores desta ordem sejam raros em qualquer outra região do planeta, fazem parte do comportamento normal do clima antártico durante o inverno, reforçando o estatuto do continente como o ambiente mais frio e extremo da Terra.



