Assinatura do Apple Music fica mais cara no BrasilCréditos: Ilustração/Mundo Conectado

O Apple Music ficou mais caro no Brasil. A partir de 17 de julho, o plano Individual passou de R$ 21,90 para R$ 23,90 mensais, e o Familiar saltou de R$ 34,90 para R$ 40,90, o maior reajuste percentual da rodada.

O aumento atingiu também o Apple One, pacote que reúne diversas assinaturas da empresa. As mudanças valem para novos assinantes de forma imediata e chegam a quem já paga pelo serviço na cobrança seguinte, depois de aviso enviado pela companhia.

É o primeiro reajuste do serviço de música da empresa desde outubro de 2022, intervalo de quase quatro anos. Os valores foram atualizados em vários mercados ao mesmo tempo, incluindo Estados Unidos, Reino Unido e países da zona do euro.

Novos preços do Apple Music no Brasil

PlanoPreço anteriorPreço atualVariação Individual R$ 21,90 R$ 23,90 +9,1% Familiar R$ 34,90 R$ 40,90 +17,2% Universitária R$ 11,90 R$ 12,90 +8,4%

O plano Familiar concentra o peso do ajuste, com R$ 6 a mais por mês, o equivalente a R$ 72 ao longo de um ano. A modalidade permite até seis contas independentes dentro do mesmo grupo, com bibliotecas e recomendações separadas.

Já o plano Universitária segue como a porta de entrada mais barata do catálogo, com verificação de matrícula em instituição de ensino superior credenciada e validade limitada.

Divulgação/Apple

Apple One sobe, mas o plano Individual segue congelado

PlanoPreço anteriorPreço atualVariação Individual R$ 42,90 R$ 42,90 sem alteração Familiar R$ 59,90 R$ 64,90 +8,3% Premium R$ 99,90 R$ 104,90 +5%

O pacote combina Apple Music, Apple TV, Apple Arcade e armazenamento no iCloud+, com Apple Fitness+ na versão Premium. A decisão de manter o valor do plano Individual preserva a diferença de R$ 19 em relação ao Apple Music avulso, argumento central de venda do pacote.

Vendidos separadamente, iCloud+, Apple TV, Apple Arcade e Apple Fitness+ não sofreram alteração até o momento.

Apple aponta custos de licenciamento como motivo

A companhia confirmou o reajuste e explicou a decisão em nota enviada ao site Music Business Worldwide, especializado na indústria fonográfica.

“Como resultado do aumento dos custos de licenciamento, o Apple Music está aumentando seu preço de assinatura a partir de hoje”

A justificativa repete a usada em outubro de 2022, quando o plano Individual norte-americano passou de US$ 9,99 para US$ 10,99. Na ocasião, a empresa acrescentou que artistas e compositores receberiam mais por reprodução, argumento ausente da declaração desta vez.

Gravadoras e editoras renegociam taxas de royalties com as plataformas de forma periódica, e esses valores acabam repassados ao assinante.

A empresa não informou quais contratos motivaram a mudança nem se há novos ajustes previstos para o streaming de música.

Quanto ficou nos Estados Unidos e na Europa

Plano (EUA)Preço anteriorPreço atualConversão aproximadaVariação Individual US$ 10,99 US$ 11,99 R$ 61,27 +9,1% Familiar US$ 16,99 US$ 19,99 R$ 102,15 +17,6% Universitária US$ 5,99 US$ 6,99 R$ 35,72 +16,7%

No Apple One norte-americano, o plano Individual permaneceu em US$ 19,95, o Familiar subiu de US$ 25,95 para US$ 27,95 e o Premier passou de US$ 37,95 para US$ 39,95.

No Reino Unido, o plano Individual foi de £ 10,99 para £ 11,99 e o Familiar de £ 16,99 para £ 19,99. Nos países que usam o euro, os valores acompanharam o mesmo movimento, com o Individual em € 11,99, o Familiar em € 19,99 e o Universitário em € 6,99.

As conversões acima usam a cotação comercial de 20 de julho de 2026, com o dólar a R$ 5,11, e servem apenas como referência. A Apple define preços por mercado, e a tabela brasileira é fixada em reais.

Divulgação/Apple

Apple Music e Spotify empatam centavo a centavo no Brasil

O resultado mais curioso do reajuste aparece na comparação com a principal concorrente. Após o aumento, os três planos do Apple Music passaram a custar exatamente o mesmo que os equivalentes do Spotify Premium no país.

PlanoApple MusicSpotify Premium Individual R$ 23,90 R$ 23,90 Familiar R$ 40,90 R$ 40,90 Universitário R$ 12,90 R$ 12,90 Duo não oferece R$ 31,90

O alinhamento vale até nos centavos. O Spotify reajustou os valores brasileiros em setembro de 2025, quando o Individual saiu de R$ 21,90 para R$ 23,90 e o Família de R$ 34,90 para R$ 40,90, percentuais praticamente idênticos aos aplicados agora pela Apple.

Nos Estados Unidos, o quadro é diferente. O Spotify elevou o plano individual para US$ 12,99 em fevereiro deste ano, e o Apple Music segue US$ 1 abaixo desse patamar. A vantagem de preço que a Apple mantinha em território americano não existe no Brasil.

Vale lembrar que o Spotify confirmou em janeiro que aquele reajuste norte-americano não se estenderia ao mercado brasileiro, onde os valores permanecem inalterados desde setembro de 2025.

Como e quando a nova cobrança aparece

Quem assinar a partir de agora já paga os novos valores na primeira fatura. Assinantes antigos migram na renovação seguinte, após notificação enviada pela empresa por e-mail.

O Apple Music reúne mais de 100 milhões de faixas e cerca de 30 mil playlists, com suporte a Áudio Espacial com Dolby Atmos e reprodução sem perdas. O aplicativo Apple Music Classical, com catálogo próprio de mais de 5 milhões de gravações, continua incluído sem cobrança adicional.

O reajuste chega poucas semanas depois de a Apple ter atualizado a tabela de Macs, iPads, Apple TV, HomePods e Vision Pro, movimento que atingiu boa parte da linha de hardware. Naquele momento, os serviços da Apple ainda não haviam sido incluídos na correção.

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Serviços renderam US$ 31 bilhões no último trimestre

O aumento acontece com a divisão de serviços em seu melhor momento financeiro. No segundo trimestre fiscal de 2026, a Apple registrou receita total de US$ 111,2 bilhões e lucro líquido de US$ 29,6 bilhões, com US$ 31 bilhões vindos de serviços, recorde histórico para o segmento.

O detalhe importa porque a empresa vinha usando o hardware como origem dos reajustes recentes. Em junho, Tim Cook disse ao Wall Street Journal que os aumentos eram inevitáveis por causa da escassez global de memórias, argumento que sustentou a correção de preços de Macs e iPads.

Agora a justificativa muda de terreno. Custos de licenciamento musical não têm relação com DRAM ou NAND, e a linha do Apple Music passa a responder a outro conjunto de pressões, ligado às negociações de royalties com as gravadoras.

Para o assinante brasileiro do plano Familiar, a diferença anual de R$ 72 equivale a quase dois meses de mensalidade no valor antigo.

Fonte(s): Music Business Worldwide