Infraestruturas de Portugal

A26

O projecto original, em 2009, previa ligar Sines a Beja; obras interrompidas durante a crise financeira, só alguns troços foram construídos.

Portugal continental tem 18 capitais de distrito. Só duas não têm pelo menos uma auto-estrada na cidade, ou nas redondezas: Beja e Portalegre. Aqui o foco é Beja.

O assunto foi recuperado recentemente pelo Automóvel Club de Portugal:a A26 (Autoestrada do Baixo Alentejo) continua incompleta.

O projecto original, em 2009 previa ligar Sines a Beja. A ideia era partir do Porto de Sines, com ligação em perfil de auto-estrada entre a A2 (Lisboa-Paderne, Algarve) e Beja.

De facto, as obras arrancaram e construiu-se algo. Mas foram interrompidas durante a crise financeira e o percurso ficou a meio. Ou melhor, muito antes do meio.

Como se vê neste estudo de impacte ambiental, a auto-estrada supostamente teria e terá 84 quilómetros.

A A26 começa então na zona de Sines, aproveitando e prolongando o corredor do IP8. Seguiria até Beja, onde faria a ligação ao restante IP8 em direcção a Espanha.

Mas o que existe de facto? Um troço entre a A2 (nó de Grândola Sul) e Santa Margarida do Sado, inaugurado em 2020.

Em vez de 84 quilómetros, esta auto-estrada tem…10 quilómetros. E acaba de forma estranha: numa rotunda, na Malhada Velha (Ferreira do Alentejo).

Uma rotunda que já deu problemas: a Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo já demonstrou a sua preocupação relacionada com os muitos acidentes verificados naquele final inesperado – e invulgar – da A26.

Portanto, o percurso seria: Sines – Santiago do Cacém, Santiago do Cacém – A2 (Grândola Sul), A2 – Ferreira do Alentejo, Ferreira do Alentejo – Beja.

Só o terceiro troço está feito. E com um fim de estrada “duvidoso”.

Beja lamenta não ter outro tipo de acessos, por exemplo para convencer trabalhadores mais jovens para passar a viver ou trabalhar em Beja.

O Governo e a Infraestruturas de Portugal voltaram a incluir a conclusão do troço Santa Margarida do Sado–Beja, mas a obra continua sem avançar.

As obras que avançaram, no ano passado, foram de melhorias do IP8 entre Ferreira do Alentejo e Beja. Mas não está em causa uma continuação da A26; são mesmo obras no já existente IP8.


Nuno Teixeira da Silva, ZAP //