Um vídeo do TikTok que mostra o interior de uma máquina do Sistema Volta cheia de garrafas e latas esmagadas está a levantar dúvidas entre os utilizadores. Reforçando as muitas reclamações que se veem pelas redes sociais e até nas nossas caixas de comentários, fica a questão: se as embalagens têm de ser depositadas intactas, porque acabam trituradas depois?

Máquinas do Sistema Volta

Uma publicação no TikTok mostra o interior de uma máquina de devolução do Sistema Volta repleta de embalagens espalmadas, com o autor a afirmar: “Olha como ficam as embalagens que eles querem que se depositem intactas na máquina do Sistema Volta.”

A ideia de “hipocrisia” instalou-se nos comentários, indo ao encontro de reclamações que temos conhecido não apenas nas redes sociais, mas até nas nossas caixas de comentários, por aqui. Os utilizadores apontam uma suposta incoerência entre as regras exigidas na devolução e o destino imediato das embalagens.

Nos comentários do vídeo, há também quem defenda que a compactação é um passo normal, e até necessário, do processo de reciclagem.

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Sistema Volta tem duas fases, com dois objetivos diferentes

Contactada pela SIC Verifica, a SDR Portugal, entidade que gere o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), confirmou que o vídeo retrata uma situação real, mas negou qualquer contradição.

Segundo a entidade, o processo divide-se em dois momentos distintos, cada um com uma função própria.

Na devolução, as embalagens têm de ser entregues inteiras, não espalmadas, com o código de barras legível e a tampa colocada. Conforme já explicámos anteriormente, esta exigência permite à máquina ler e validar automaticamente a embalagem, confirmando que pertence ao sistema e prevenindo devoluções fraudulentas.

Só depois de identificada e aceite é que a embalagem passa para a segunda fase, a compactação, em que a máquina esmaga garrafas e latas, com o objetivo de “otimizar o armazenamento, o transporte e a logística do sistema”, segundo a SDR Portugal.

Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, a entregar uma embalagem no ponto de recolha do SDR Volta, em Lisboa, no dia 4 de março de 2026.

Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, a entregar uma embalagem no ponto de recolha do SDR Volta, em Lisboa, no dia 4 de março de 2026. Crédito: Sara Matos/MAEN, via gov.pt

Porque faz sentido esmagar depois de validar

A compactação impede ainda que a mesma embalagem seja reintroduzida na máquina para gerar um novo reembolso indevido. Sem esse passo, o sistema ficaria vulnerável a fraudes simples de contornar.

Além disso, segundo a entidade gestora, este processo é essencial para garantir a qualidade e pureza do material recolhido, evitando contaminações e assegurando que as embalagens podem ser recicladas com elevado grau de pureza, um requisito particularmente importante quando o destino final passa pela indústria alimentar.

Depois de recolhidas, as embalagens seguem para os dois Centros de Contagem e Triagem da SDR Portugal, onde são contadas, verificadas e separadas por material. De seguida, são encaminhadas para recicladores especializados, que as transformam em nova matéria-prima.

 

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