NUNO VEIGA/LUSA

O candidato presidencial Eugénio Tiny (E), cumprimenta um popular na rua apelando ao voto no número um, o seu número de ordem no boletim, São Tomé.
Mais de 142 mil eleitores são chamados este domingo a escolher o próximo Presidente de São Tomé e Príncipe, numas eleições marcadas pela crispação política, mas sem registo de incidentes de maior.
Quatro candidatos disputam as eleições presidenciais, cujas urnas abriram pelas 07h00 (08:00 em Lisboa) num ambiente calmo.
O atual Presidente, Carlos Vila Nova, tem como principal adversário Nito d’Abreu. Eugénio Tiny e Miques João são os outros dois candidatos, mas que não contam com qualquer apoio partidário e cuja campanha eleitoral foi praticamente inexistente. Jorge Bom Jesus chegou a oficializar a sua candidatura, mas anunciou a sua desistência, ainda que fora do prazo legal. Ou seja, consta do boletim, mas, qualquer voto no candidato será considerado nulo.
Tiny, jurista que, nas presidenciais de 2021, obteve apenas 203 votos, equivalentes a 0,26% do total, apresenta-se novamente como independente, desta vez com uma proposta radical: mudar o nome do país para República Centro Equatorial.
O candidato argumenta que a corrupção desacreditou a atual República Democrática de São Tomé e Príncipe e que uma transformação profunda deveria começar pelo próprio nome. A alteração resolveria ainda, no seu entender, o desconforto dos habitantes da ilha do Príncipe, que têm de se identificar como santomenses.
“O país ficou de tal modo corrupto que ninguém mais acredita em nós! Ora, é preciso a gente mudar. Mudar de fundo”, disse em entrevista à rádio pública francesa. “Se nós quisermos mudar profundamente o país, eu participo e tenho ideia. O nome do país em vez de República Democrática… Democrática? Não há nada de democrático. Vamos pôr-lhe República Centro Equatorial.”
Tiny também quer rever a bandeira nacional. Defende a inclusão de cinco estrelas, em representação das ilhas e ilhéus habitáveis do arquipélago, e de uma faixa azul, para simbolizar o mar. O candidato recorda que o território terrestre tem cerca de 1001 quilómetros quadrados, enquanto a área marítima ronda os 160 mil.
Segundo a CEN, os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.