A relação com os EUA pode estar prestes a sofrer mudanças. A Europa negoceia atualmente um acordo que prevê a partilha de dados biométricos e perfis de risco dos cidadãos com as autoridades dos EUA . Esta cedência de informação surge como moeda de troca para manter as facilidades de viagem, mas traz sérias preocupações sobre privacidade.

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Fim das viagens apenas com passaporte

Viajar para os Estados Unidos com a facilidade do atual programa de isenção de vistos pode estar prestes a sofrer uma alteração profunda. A Comissão Europeia encontra-se a finalizar um acordo-quadro que permitirá partilhar dados biométricos dos cidadãos europeus com as autoridades norte-americanas. Na prática, a simples aprovação do ESTA e a apresentação do passaporte deixarão de garantir a entrada no país.

A negociação prevê o acesso direto a impressões digitais e a várias outras informações sensíveis armazenadas nos sistemas nacionais dos Estados-Membros. Esta mudança de paradigma tem raízes no ano de 2022. Nessa altura, o governo norte-americano informou os parceiros internacionais de que a manutenção da isenção de vistos passaria a depender do acesso imediato a bases de dados biométricos.

Exigência dos EUA e partilha de perfis

As negociações mais recentes revelam que a União Europeia estará disposta a aceitar a grande maioria das condições exigidas. Após a definição das regras gerais por parte de Bruxelas, o processo avançará para a assinatura de acordos bilaterais entre os Estados Unidos e cada país europeu.

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O aspeto mais crítico deste acordo reside na extensão dos dados partilhados. O sistema não se limita a confirmar a validade de uma impressão digital. O documento em discussão prevê a transferência sistemática de biometria e de indicadores de risco. Estes perfis de viajantes assentam frequentemente em critérios subjetivos e pouco rigorosos. Esta abertura cria um perigo real de discriminação nos controlos de fronteira.

Choque com a legislação da Europa

Vai deixar espaço para decisões e bloqueios baseados em opiniões políticas ou ativismo social. A opacidade destas negociações levanta dúvidas sérias sobre a futura proteção da privacidade dos viajantes. Diversas secções do documento de trabalho colidem diretamente com a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. O modelo agora desenhado afasta-se das orientações iniciais e coloca os padrões de salvaguarda da informação substancialmente abaixo dos limites exigidos pelo espaço comunitário.

Caso este formato seja aprovado e entre em vigor nos moldes atuais, o acesso ao território norte-americano terá um custo elevado para a privacidade dos europeus. A partilha maciça de dados pessoais será uma obrigatoriedade inevitável. Os cidadãos ficarão expostos a decisões de fronteira opacas, sem vias de recurso claras e sem garantias sobre o uso futuro de toda a informação recolhida pelas autoridades norte-americanas.