José Sena Goulão / Lusa

O novo coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza
Já decorre a atualização programática do documento orientador do Bloco de Esquerda. Aproximação ao PS não é caminho.
O Bloco de Esquerda vai ter um novo projeto político, um novo documento orientador interno. Ou, pelo menos, uma proposta.
Tal como tinha dito o seu novo líder, José Manuel Pureza, a alteração já arrancou. Alexandre Abreu, Bruno Góis e José Soeiro vão liderar a recolha de ideias, haverá debates ainda neste ano, com uma proposta final em fevereiro de 2027.
“A nossa responsabilidade, de qualquer partido de esquerda até, é de não sermos sectários. Queremos dar força à Justiça Social, estaremos unidos em várias lutas”, comenta Alexandre Abreu no Diário de Notícias.
Algumas prioridades: captação de “eleitorado do Chega, que procurou a alternativa com perguntas certas, mas com respostas erradas”; olhar “para toda a população” porque “muitas pessoas que votaram à direita já votaram à esquerda”; a importância da “mobilização territorial”, de um partido “mais vivo no debate político”; focar em lutas locais, também como “oportunidade para ter pessoas a aproximarem-se do partido.”
Outros focos: crescimento da extrema-direita, procurar um ecossocialismo, combate à degradação de serviços públicos.
Aproximar-se do PS não é prioridade: “Não vamos esvaziar o Bloco com uma aproximação a um Partido Socialista que tem tido responsabilidades centrais na deriva liberal em muitos domínios”.
Há respeito pelos discursos e pela estratégia do Livre, que não esconde que quer estar próximo do PS – mas “o Bloco tem um espaço próprio e necessário”.
“Não há quem assegure a nossa abordagem política, a nossa visão do socialismo democrático”, continua Alexandre Abreu.
E a ambição do novo documento será grande: “Houve um documento fundador, mas depois desse não penso que haja qualquer documento comparável em termos de ambição”.
A próxima Convenção do Bloco de Esquerda deverá ser realizada no final de 2027.