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Pode não causar
dor. Pode não provocar sinais de alerta. Pode evoluir durante anos sem que a
pessoa se aperceba de que algo está errado. A doença renal crónica é
frequentemente descrita como uma doença silenciosa e é precisamente essa
característica que ajuda a explicar porque continua a ser diagnosticada, muitas
vezes, apenas em fases mais avançadas.
Apesar de se
estimar que afete até cerca de 10% da população adulta, Portugal
continua sem dados nacionais recentes e abrangentes que permitam conhecer a
verdadeira dimensão desta doença. Sem essa informação, torna-se mais difícil
planear respostas eficazes, reforçar estratégias de prevenção e promover o
diagnóstico precoce.
É para responder
a esta lacuna que nasce o Projeto HÉRCULES. Promovido pela Boehringer
Ingelheim, com apoio científico da Sociedade Portuguesa de Nefrologia e apoio
institucional da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, o estudo está a
percorrer o País para recolher informação que poderá transformar o conhecimento
sobre a saúde renal dos portugueses.
Pela primeira
vez, um retrato nacional
O Projeto
HÉRCULES corresponde ao primeiro estudo nacional de prevalência da doença renal
crónica realizado em Portugal. A iniciativa pretende avaliar cerca de 3.000
pessoas, selecionadas aleatoriamente em Portugal continental, Açores e Madeira,
garantindo uma amostra representativa da população.
O objetivo é
simples na formulação, mas ambicioso na execução: perceber quantas pessoas
vivem com doença renal crónica, onde estão e quais são as suas características
clínicas e sociodemográficas.
Ao mesmo tempo, o
estudo pretende identificar tanto casos já diagnosticados como situações ainda
desconhecidas pelos próprios participantes. Trata-se de uma informação
particularmente relevante numa doença que pode permanecer silenciosa durante
muito tempo.

Diagnosticar
antes de ser tarde
A deteção precoce
é uma das grandes prioridades na abordagem à doença renal crónica. Quando
identificada numa fase inicial, é possível acompanhar a evolução da doença de
forma mais eficaz e contribuir para atrasar a sua progressão.
O problema é que
muitas pessoas se sentem perfeitamente bem, mesmo quando já existem alterações
na função renal. A ausência de sintomas evidentes faz com que muitos casos
permaneçam por diagnosticar durante anos.
É precisamente
por isso que projetos de investigação desta natureza assumem uma importância
acrescida. Conhecer melhor a dimensão do problema é um passo essencial para
definir políticas de saúde mais adequadas e direcionar recursos para as áreas
em que são mais necessários.
Como funciona
o estudo
Em vários
concelhos do País, equipas qualificadas realizam entrevistas porta a porta,
uma metodologia que procura aproximar o estudo da população e aumentar a
representatividade dos resultados.
Os participantes
selecionados são convidados a responder a um questionário e a realizar
análises ao sangue e à urina, efetuadas em parceria com laboratórios
Synlab. Estas avaliações permitem recolher informação clínica relevante e
avaliar a função renal.
A participação é
voluntária e desempenha um papel fundamental para o sucesso da investigação.
Quanto mais robusta for a informação recolhida, maior será a capacidade de
compreender a realidade da doença renal crónica em Portugal.
Conhecimento
para melhorar a saúde
Mais do que um
exercício estatístico, o Projeto HÉRCULES pretende criar uma base sólida de
conhecimento científico sobre uma doença que continua envolta em muitas
incógnitas. Os resultados permitirão compreender melhor a prevalência da DRC,
identificar fatores de risco e analisar a sua relação com outras condições
frequentes, incluindo doenças cardiovasculares e metabólicas.
A recolha de
dados deverá estar concluída até ao final de 2026 e serão partilhados com a
comunidade científica, profissionais de saúde, decisores e sociedade em geral.
Numa área em que
a falta de informação tem sido um obstáculo à definição de estratégias
eficazes, o Projeto HÉRCULES procura responder a uma pergunta fundamental: qual
é, afinal, a verdadeira dimensão da doença renal crónica em Portugal? A
resposta poderá ajudar a melhorar o diagnóstico precoce, a prevenção e os
cuidados prestados aos portugueses nos próximos anos.
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