A terceira ausência consecutiva de um Campeonato do Mundo provocou uma revolução. Tal como tinha acontecido em 2018 e em 2022, Itália falhou o apuramento para o Mundial 2026 e voltou a confirmar que a conquista do Euro 2020 foi uma espécie de acontecimento isolado ainda por explicar. Gennaro Gattuso demitiu-se do cargo de selecionador, Gianluigi Buffon demitiu-se do cargo de chefe de delegação, Gabriele Gravina demitiu-se do cargo de presidente da Federação Italiana de Futebol — e o carrossel começou a girar.

No final de junho, Giovanni Malagò foi eleito o novo presidente da Federação Italiana de Futebol. No início de julho, Paolo Maldini foi escolhido como o novo diretor técnico das seleções, passando a atuar em conjunto com Leonardo, antigo internacional brasileiro com quem jogou no AC Milan e que foi campeão mundial com o Brasil em 1994. Com as duas primeiras jornadas da fase de grupos da Liga das Nações agendadas para o final de setembro, contra Bélgica e Turquia, falta agora fechar o último vértice do triângulo: o novo selecionador nacional.

Gattuso demite-se do comando técnico da seleção italiana

Silvio Baldini tem servido como interino desde a demissão de Gennaro Gattuso, convocando apenas jogadores Sub-21 à exceção de Gigi Donnarumma para os particulares de junho contra Luxemburgo e Grécia, mas a Federação quer naturalmente ter o novo selecionador nacional a trabalhar o mais depressa possível. E nessa demanda, como tem ficado claro nas últimas semanas, só existe um favorito: Pep Guardiola.

Acabado de deixar o Manchester City ao fim de uma década em Inglaterra, o treinador espanhol que passou pelo Brescia e pela Roma enquanto jogador é um autêntico sonho para a Federação Italiana de Futebol. De acordo com a Gazzetta dello Sport, a Federação enviou uma comitiva liderada por Maldini e Leonardo a Barcelona para falar pessoalmente com Pep Guardiola e apresentar-lhe o projeto que iria liderar em Itália — e que inclui a possibilidade de desenhar a nova filosofia do futebol italiano, a partir das camadas jovens das seleções nacionais, e o total controlo das operações sem grande ingerência do diretor técnico ou do consultor.

A aposta da Federação em Pep Guardiola é tão séria que, nos últimos dias, Giovanni Malagò confirmou mesmo que o treinador espanhol era o favorito para suceder a Gennaro Gattuso e que o organismo iria fazer tudo aquilo que está ao seu alcance para o convencer a aceitar a proposta. “Há aspetos financeiros e orçamentais que exigem, no mínimo, muita cautela, mas já foram feitas exceções. Exceções que, por exemplo, podem referir-se ao nome que está tão dominante neste momento, que é Pep Guardiola. Exceções por razões óbvias que não vou mencionar aqui. Mas não é garantido que este acordo se concretize. Acredito que foi correto e importante abrir um diálogo com ele e mantê-lo vivo. Não se trata, de forma alguma, de falta de respeito ou consideração para com outros treinadores, porque já falámos com outros nomes”, explicou o presidente.

Apesar das “exceções”, a verdade é que a possibilidade de Pep Guardiola ser o próximo selecionador de Itália é cada vez mais escassa. E por dois motivos. O primeiro prende-se com a promessa que o treinador terá feito à família, garantindo que iria parar durante algum tempo para uma espécie de pausa sabática depois de deixar o Manchester City e à semelhança do que fez após sair do Bayern Munique. O segundo é puramente financeiro, já que a Federação Italiana de Futebol está a oferecer cerca de 10 milhões de euros por ano ao espanhol, algo que já se enquadra e muito na categoria das “exceções”, mas Guardiola estará a pedir o dobro, algo como 20 milhões de euros anuais.

Pelo meio, o nome de Pep Guardiola nem sequer agrada a toda a gente — até pelo facto de o treinador não ser italiano, tornando-se apenas o terceiro estrangeiro a orientar Itália, sendo que o húngaro Lajos Czeizler e o argentino Helenio Herrera desempenharam a função nos anos 50 e 60. “A única coisa que peço ao Giovanni é que escolha um treinador italiano”, disse Luciano Buonfiglio, o presidente do Comité Olímpico Italiano. “Quando fui presidente da Federação de Canoagem cometi o erro de contratar um treinador alemão. Ele era bom, mas não se deu ao trabalho de compreender a mentalidade italiana. Não ganhámos nada e todo o bom trabalho que tínhamos feito anteriormente foi por água abaixo”, recordou.

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Se Pep Guardiola acabar mesmo por rejeitar a proposta da Federação Italiana de Futebol, a Gazzetta dello Sport garante que o azimute pode virar-se para o regresso de Roberto Mancini, selecionador entre 2018 e 2023 que conquistou o tal Euro 2020, ou Antonio Conte, selecionador entre 2014 e 2016 que chegou aos quartos de final do Euro 2016. Andrea Pirlo, campeão do mundo em 2006 que é o favorito do amigo Paolo Maldini para assumir a posição, também está na shortlist — mas não agrada a praticamente ninguém.