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A Wildberries, a maior plataforma de comércio eletrónico da Rússia, tornou-se um dos mais recentes alvos da campanha ucraniana de ataques com drones em território russo. Nos últimos dias, segundo a agência noticiosa Reuters, a Ucrânia atingiu quatro armazéns da empresa, numa operação que visa infraestruturas consideradas estratégicas para a economia e logística de Moscovo.

Os ataques, de acordo com a mesma agência, poderão provocar perdas significativas para milhares de empresas que comercializam produtos através da plataforma, assim como perturbações para clientes que recorrem ao serviço para adquirir roupa, eletrodomésticos, medicamentos, cosméticos e outros bens.

A ofensiva insere-se numa estratégia mais alargada de Kiev para atingir infraestruturas no interior da Rússia. A Ucrânia sustenta que os ataques de longo alcance têm como objetivo enfraquecer o esforço militar russo e pressionar Moscovo a pôr fim ao conflito. Já a Rússia acusa Kiev de tentar semear “instabilidade” na sociedade ao atacar refinarias, armazéns e outras infraestruturas logísticas.

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Fundada em 2004 como um pequeno negócio familiar e a operar a partir de um apartamento nos arredores de Moscovo, a Wildberries transformou-se, em menos de duas décadas, na principal retalhista online do país. A empresa afirma processar cerca de 20 milhões de encomendas por dia em centros logísticos que ocupam uma área combinada de três milhões de metros quadrados.

Este ano, a Wildberries reforçou a sua posição no mercado através de uma parceria com o VTB, o segundo maior banco da Rússia, que adquiriu uma participação de 5% no WB Bank, o braço financeiro da empresa, com opção de aumentar essa posição. A empresa está também a construir uma nova sede de 400 metros de altura no distrito financeiro Moscow City, que deverá tornar-se o edifício mais alto da capital russa quando for concluído, em 2030.

A Wildberries e a Ozon, a principal concorrente, são os pilares da chamada “economia de plataformas” russa. Em conjunto com operadores de menor dimensão, representam o equivalente a 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia e garantem emprego a cerca de quatro milhões de pessoas, mais de 5% da força de trabalho do país.

O setor ocupa um lugar central na estratégia económica do Kremlin para estimular o crescimento de uma economia condicionada pelo esforço de guerra. Maxim Oreshkin, conselheiro económico do Presidente russo, acompanha diretamente este setor e descreveu plataformas como a Wildberries e a Ozon como “uma nova forma de economia planificada”, gerida por algoritmos em vez de instituições lideradas por pessoas, como acontecia na União Soviética.