A 50 quilómetros de Lisboa e com o estuário do Tejo pelo meio, a ferrovia é a grande aposta para os acessos ao novo aeroporto Luís de Camões. O plano técnico entregue pela ANA ao Governo prevê três opções ferroviárias de acesso à infraestrutura: um shuttle direto através da Terceira Travessia do Tejo (TTT), ligações pela futura linha de alta velocidade com destino a Madrid e comboios convencionais a partir de Entrecampos.
Não obstante estas três ligações, a concessionária diz que é preciso reforçar a atratividade e competitividade da acessibilidade ao aeroporto, por este se encontrar a mais de 50 quilómetros da capital, e defende a implementação de uma ligação ferroviária convencional direta e mais frequências nos serviços.
A proposta apresentada pela Infraestruturas de Portugal (IP) aponta para um serviço de shuttle (comboio rápido e dedicado ao aeroporto) direto entre a estação da Gare do Oriente e o aeroporto, através da Terceira Travessia do Tejo, com um percurso a realizar em cerca de 20 minutos, mas com uma frequência de 30 em 30 minutos.
Estão igualmente previstas ligações pela futura rede de alta velocidade para Madrid. Esta linha também estará instalada na TTT — a ponte Chelas-Barreiro — cuja data de concretização prevista é 2034. O seu traçado passará perto do novo aeroporto ao qual estará ligada através de um ramal por um túnel de 5 quilómetros. Mas este trajeto demora mais tempo — 26 minutos e terá uma frequência menor, de duas em duas horas. Está ainda planeada uma ligação ferroviária convencional a partir da estação de Entrecampos, com um tempo de viagem de 45 minutos (e transbordo na Gare do Oriente) e uma frequência de 15 em 15 minutos.
Apesar das três ofertas, a ANA alerta para a “necessidade de aumentar a frequência do serviço shuttle e de avaliar a implementação de uma ligação ferroviária convencional direta, sem transbordo, entre Lisboa e o Novo Aeroporto”. A concessionária realça que garantir níveis de serviço de transportes públicos de primeira qualidade, ao nível do conforto, frequência e com preços acessíveis tem uma “importância crítica” e manifesta que irá ativamente defender a concretização do objetivo da mobilidade sustentável dentro do grupo de trabalho criado com a IP.
O acesso rodoviário ao aeroporto será assegurado principalmente pela construção de uma ligação à autoestrada A33, o que vai exigir um troço novo de 17 quilómetros. O futuro aeroporto terá mais de 20 mil lugares de estacionamento, divididos entre 3.000 lugares de curta duração, distribuídos por silos, e 18.700 lugares de superfície em parques de média e longa duração. Estão previstos parques de superfície só para colaboradores com 4.700 lugares.
Localizado nos concelhos de Benavente e Montijo, o plano diretor para o aeroporto abrange uma área de 2.250 hectares no Campo de Tiro de Alcochete, o que é uma área mais de cinco vezes a área atualmente ocupada pelo Humberto Delgado. A sua abertura está prevista para 2035, segundo o calendário do Governo, mas o plano da concessionária aponta para 2037.