Ousman Umar conta a sua história para que um dia não seja preciso contá-la. Nasceu no Gana, numa aldeia chamada Fiaso, onde, ainda criança, avistou um pássaro metálico. Disseram-lhe que era um avião e que só as pessoas de pele branca podiam voar. Quis conhecer a “terra dos brancos” e, aos 12 anos, iniciou a sua travessia até à Europa. Viveu primeiro em Acra, onde trabalhou como soldador de chapas, e passou depois quatro anos na Líbia de Kadhafi, “onde ser negro e estar vivo era quase um crime”. Atravessou o Saara a pé e cruzou o Mediterrâneo numa pequena embarcação. Muitos dos seus companheiros morreram pelo caminho. “Faço parte dos cerca de 3% que sobreviveram. Não sei como. Eu era apenas uma criança”. Desembarcou em Fuerteventura, foi detido e depois enviado para Barcelona. Viveu vários meses na rua e sentiu-se “invisível” durante muito tempo. Até que um dia conheceu “Montse” – “Ela não teve medo de mim”. Ousman Umar tem hoje 38 anos e é presidente e fundador da Nasco Feeding Minds, ONG que promove a educação digital em zonas rurais do Gana. Partilhou o seu percurso de vida no encontro de antigos alunos da AESE Business School, em junho passado. É autor de livros como “Viaje al país de los blancos”, onde relata a sua história, agora também retratada num filme do realizador espanhol Dani Sancho.