
Bryan Johnson, empresário norte-americano, vive com um objetivo: nunca morrer.
“Acabei de me clonar… como recém-nascido”. Tecnologia inventada por vencedor de um Nobel permitirá produzir órgãos para transplante e desenvolver tratamentos destinados a travar ou reverter o envelhecimento. A ciência explica o que este baby-Bryan realmente é.
“I cloned myself today…to see if I still feel…”. O biohacker milionário norte-americano Bryan Johnson voltou a surpreender o mundo esta terça-feira, ao anunciar a criação de uma espécie de “clone” de si próprio, com características celulares equivalentes às de um recém-nascido.
O empresário de 48 anos, conhecido nas redes sociais pela sua luta constante contra a morte, confessou, numa publicação no X, ter recorrido a tecnologia de células estaminais pluripotentes induzidas, ou iPSC. Apresentou a experiência como uma possível via para testar terapias, produzir órgãos para transplante e desenvolver tratamentos destinados a travar ou reverter o envelhecimento.
“Acabei de me clonar… como recém-nascido”, começou por escrever Bryan Johnson.
“Com este clone, posso tornar-me o meu próprio doador de sangue, testar terapias no clone, cultivar órgãos para transplante, desenvolver novos tratamentos e injetar células jovens”, adiantou o empresário, que explicou que “por enquanto”, o chamado “baby-bryan” existe apenas numa placa de Petri.
“Isto pode ser assustador para algumas pessoas… um futuro distópico. Mas, para outras, será visto como o futuro inevitável da saúde”, acredita o empresário norte-americano, que diz que “os ensaios clínicos já estão a utilizar esta tecnologia para restaurar neurónios dopaminérgicos no Parkinson, para a saúde cardíaca e para a visão.”
Segundo Johnson, que garante há anos ser o homem mais saudável do mundo, o processo é composto por várias fases. Começa pela simples colheita de sangue; depois, as suas células “foram extraídas”, foram aplicados os “fatores Yamanaka”, a sua idade epigenética foi “reinicializada” e depois, sim, temos o baby-Bryan “semelhante ao embrionário”.
“Estas células são agora pluripotentes e podem ser diferenciadas em centenas de tipos de células (neurónios, cardiomiócitos, células da retina, etc) permitindo-me reconstruir o meu corpo, órgão a órgão, reparando a visão ou a audição perdidas, restaurando a função renal, hepática ou pulmonar, reparando danos na pele”, anunciou o empresário.
“Não há limites reais à imaginação. O meu corpo irá aceitá-las porque são as minhas células — as células estranhas correm o risco de serem rejeitadas”, explica ainda o milionário.
Que processo é este?
É necessário realçar que o processo não corresponde à criação de um bebé geneticamente idêntico.
A tecnologia iPSC consiste em recolher células adultas — neste caso, a partir de uma amostra de sangue — e reprogramá-las para fazê-las a um estado semelhante ao das células estaminais embrionárias. A partir daí, essas células podem, em certas condições, dar origem a diferentes tipos de células do organismo.
O processo faz com que células já diferenciadas regressem a um estado semelhante ao das células estaminais embrionárias, recuperando a capacidade de dar origem a vários tipos de tecido.
Esta área de investigação foi desenvolvida pelo cientista japonês Shinya Yamanaka, distinguido com o Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina em 2012.
As iPSC são hoje estudadas em investigação biomédica, medicina regenerativa, modelação de doenças e testes de medicamentos.
Uma das principais vantagens é o facto de a iPSC evitar parte das questões éticas associadas ao uso de embriões. Além disso, como também explicou o biohacker norte-americano, células produzidas a partir do próprio doente podem reduzir o risco de rejeição imunitária.
No entanto, há quem defenda que a reprogramação pode causar alterações genéticas, crescimento descontrolado ou formação de tumores. Muitas aplicações estão ainda numa fase experimental e pré-clínica.
O homem mais saudável do mundo… está doente
O anúncio surge poucos dias depois de Bryan Johnson ter revelado que lhe foi diagnosticada uma doença autoimune incurável, na qual o sistema imunitário ataca células saudáveis do revestimento do estômago.
O biohacker prometeu tentar encontrar uma solução através de inteligência artificial (IA), análise integrada de dados biológicos e ADN personalizado. E reconheceu que ter sido diagnosticado “foi uma das melhores coisas que lhe aconteceu nos últimos tempos” e “abriu uma nova fronteira de caminhos para reparar e fortalecer o corpo”, sendo o baby-Bryan “o primeiro exemplo.”
“À medida que as células envelhecem, acumulam erros epigenéticos que se agravam, levando à disfunção e à doença. Esta tecnologia oferece-nos um caminho para reverter o envelhecimento”, defende ainda o influencer, que tem sido frequentemente acusado de transformar o medo da morte num projeto experimental.
“Imaginem nascer e ser usado apenas como peça descartável para um homem mentalmente instável e com medo da morte. És verdadeiramente mau, Bryan”, escreveu um utilizador no X.