A Geração Z está a alterar as regras do mercado de trabalho, com uma permanência cada vez mais curta nas empresas. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, a principal motivação para mudar de emprego não é apenas financeira.
Uma carreira já não significa ficar no mesmo emprego
A Geração Z, que entrou no mercado de trabalho num período marcado pela pandemia, pelo teletrabalho e pela crescente influência da inteligência artificial (IA), tem demonstrado um comportamento muito diferente das gerações anteriores no que diz respeito à estabilidade profissional.
Um estudo divulgado pela Randstad revela que mais de metade dos jovens desta geração acompanha regularmente novas oportunidades de emprego. Além disso, cerca de um terço admite a intenção de abandonar a empresa onde trabalha antes de completar um ano de permanência.
Em média, os trabalhadores da Geração Z permanecem apenas 1,1 anos no mesmo emprego. Entre os millennials esse período aumenta para 1,8 anos, enquanto na Geração X sobe para 2,8 anos. Já os baby boomers registam uma permanência média próxima dos 2,9 anos.
Apesar desta elevada mobilidade, mudar de empresa continua também a representar uma oportunidade para aumentar o rendimento. Um relatório do Bank of America Institute indica que, mesmo com salários relativamente estáveis em muitos casos nos Estados Unidos, quem troca de emprego consegue normalmente obter aumentos mais rápidos.
Os millennials duplicaram o ritmo de crescimento salarial ao mudarem de empresa, enquanto os profissionais da Geração Z chegaram a quadruplicar esse ritmo.
Aprender pesa mais do que a remuneração
Embora a questão salarial continue a ser importante, os resultados do estudo indicam que esta não é a principal razão para a elevada rotatividade entre os mais jovens.
A maioria dos profissionais da Geração Z afirma manter o compromisso com a organização onde trabalha. No entanto, muitos consideram que a empresa não acompanha as suas expectativas de crescimento, nem oferece oportunidades suficientes para desenvolver novas competências ou evoluir na carreira.
Segundo a Randstad, 68% dos jovens dizem continuar empenhados nas suas funções, mas sentem que os seus valores nem sempre coincidem com os da entidade empregadora ou que o trabalho desempenhado já não contribui para a sua evolução profissional.
Além disso, apenas 56% considera que o emprego atual responde às suas necessidades, uma percentagem inferior à registada entre os baby boomers, onde esse valor sobe para 63%.
Outro dado relevante mostra que 40% dos trabalhadores da Geração Z avaliam sempre os seus objetivos profissionais de longo prazo antes de aceitarem uma nova proposta de emprego, sendo a geração que mais valoriza este fator.
A IA está a mudar as escolhas profissionais
Os desafios enfrentados pelos jovens não se limitam à adaptação ao mercado de trabalho. A rápida evolução da IA veio acrescentar uma nova preocupação, especialmente nas funções de entrada, onde muitas tarefas começam a ser automatizadas.
Este cenário leva um número crescente de profissionais a procurar setores onde o impacto da IA seja menos significativo. Áreas como a saúde ou várias profissões técnicas e especializadas têm despertado maior interesse, precisamente por oferecerem maior estabilidade perante esta transformação tecnológica.
Os responsáveis pelo estudo da Randstad sublinham que a incerteza económica, a redução das oportunidades para quem inicia a carreira e a crescente influência da IA não diminuíram a vontade da Geração Z de evoluir profissionalmente.
Pelo contrário, reforçaram a necessidade de adquirir novas competências e procurar ambientes que favoreçam essa aprendizagem.
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