O autoconsumo solar promete cortar a fatura da luz, mas o retorno depende do consumo, da orientação da casa e do investimento inicial. As contas ajudam a decidir.
Com o sol de verão e a fatura da luz a pesar, os painéis solares voltam ao radar de muitas famílias. A promessa é atraente, produzir a própria eletricidade e cortar na conta, mas a decisão exige mais do que entusiasmo: exige contas.
O autoconsumo compensa mais a quem consome eletricidade durante o dia, quando os painéis produzem. Uma casa com pessoas em teletrabalho, ar condicionado ligado de dia ou piscina aproveita melhor a produção do que uma casa vazia até à noite. O perfil de consumo é o primeiro fator.
O segundo é a instalação: orientação e inclinação do telhado, sombras e área disponível determinam quanto se produz. E há o investimento inicial, que se recupera ao longo de anos através da poupança na fatura. O tempo de retorno é a métrica que decide se compensa.
Há ainda a questão do excedente. A energia produzida e não consumida pode, em muitos casos, ser injetada na rede, mas costuma ser remunerada a um valor inferior ao que se paga para comprar. Por isso, o autoconsumo rende mais quando se consome o que se produz, em vez de vender o excedente.
A regra prática é fazer as contas antes de investir: cruzar o consumo, a exposição solar da casa e o custo da instalação para estimar o retorno. Para o perfil certo, os painéis compensam claramente; para uma casa com pouco consumo diurno, o retorno pode demorar demasiado a chegar e se calhar poupa muito mais a mudar de tarifa de forma gratuita e regular.