Imagem: Forças Armadas Francesas
Em 16 de julho, as Forças Armadas da França e da Alemanha (Luftwaffe) realizaram seu primeiro exercício aéreo conjunto no âmbito da estratégia francesa de “dissuasão avançada” (“dissuasion avancée”), marcando um novo capítulo na cooperação bilateral em defesa.
Embora a missão não tenha envolvido o transporte ou o emprego de armas nucleares, ela representa a primeira participação operacional da Luftwaffe em um exercício ligado ao componente francês de dissuasão nuclear.
A operação reuniu dois caças Dassault Rafale do Comando Aéreo Estratégico Francês (CFAS), destacados da Base Aérea de Saint-Dizier, e dois caças Eurofighter Typhoon da Base Aérea de Nörvenich, na Alemanha, informou o Aviacionline.
A formação realizou um reabastecimento em voo com um Airbus A330 MRTT Phénix da Força Aérea Francesa, seguido de manobras conjuntas antes do pouso em Nörvenich, onde, no dia seguinte, ocorreu o Conselho Franco-Alemão de Defesa e Segurança.
O exercício representa o primeiro passo concreto para colocar em prática os compromissos assumidos pelo presidente francês Emmanuel Macron e pelo chanceler alemão Friedrich Merz na declaração conjunta assinada em 2 de março de 2026, que prevê o fortalecimento da cooperação estratégica entre os dois países.
De acordo com o comunicado oficial, a atividade também contribuiu para ampliar a interoperabilidade entre as duas forças aéreas.
O peso político da iniciativa já havia sido antecipado por Friedrich Merz, que declarou anteriormente que a Alemanha participaria, ainda neste ano, de um exercício relacionado à dissuasão nuclear francesa como parte dos esforços para fortalecer a capacidade de dissuasão da Europa.
A missão realizada nesta semana concretiza esse compromisso e evidencia a crescente convergência estratégica entre Paris e Berlim diante da deterioração do cenário de segurança no continente.
A iniciativa integra a estratégia de Emmanuel Macron de ampliar o debate sobre o papel da dissuasão nuclear francesa como um dos pilares da segurança europeia.
Nos últimos meses, o presidente francês defendeu a abertura de um diálogo com os parceiros europeus sobre a possibilidade de o arsenal nuclear da França contribuir para uma arquitetura de dissuasão em escala continental, especialmente diante das incertezas em relação ao compromisso dos Estados Unidos com a defesa da Europa.
A aproximação entre os dois países também ocorre em paralelo ao avanço de outros projetos estratégicos conjuntos, entre eles o estudo conduzido com o ArianeGroup para o desenvolvimento de um míssil balístico convencional de longo alcance baseado em terra, além de iniciativas voltadas ao fortalecimento da autonomia industrial e militar europeia.
Embora a operação não tenha envolvido armas nucleares, a participação da Luftwaffe em uma missão integrada ao Comando Aéreo Estratégico francês estabelece um precedente inédito e sinaliza o aprofundamento da cooperação entre as duas principais potências militares da União Europeia em uma das áreas mais sensíveis da defesa do continente.
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