Há 20 anos que as notas tal como as conhecemos circulam por bolsos e carteiras em toda a Zona Euro. O Banco Central Europeu (BCE) decidiu, em 2021, que era tempo de uma nova imagem, mas esse não é o único objetivo. As notas de euro são utilizadas por milhões de pessoas e é preciso garantir que continuam seguras, fáceis de utilizar e acessíveis a todos.


Em janeiro de 2025, o BCE anunciou os dois temas finalistas para as novas notas: a cultura europeia e rios e aves. Em julho do mesmo ano foi lançado um concurso para criar as futuras notas de euro e esta semana foram revelados os designs finais. O BCE recebeu mais de 1200 candidaturas de desenhadores gráficos. Dessas, um júri independente, composto por 21 especialistas em diferentes domínios, como o design gráfico, a comunicação, as neurociências e a história, cada um nomeado por um banco central da área do euro, selecionou dez propostas de desenho.


“As notas de euro são mais do que um meio de pagamento. Com desenhos que combinam beleza e significado, reforçarão a nossa identidade comum“, disse Christine Lagarde, a presidente do BCE, na apresentação dos designs.


Os europeus podem escolher os preferidos no site do BCE até 21 de setembro. “Em paralelo, uma empresa independente de estudos de opinião realizará um inquérito separado, com as mesmas perguntas, junto de uma amostra representativa de cidadãos da área do euro. O BCE publicará um relatório sobre os resultados de ambos os inquéritos após a seleção do desenho final”, lê-se em comunicado do BCE.


No tema cultura europeia, para a nota de cinco euros, foi escolhida a soprano Maria Callas; na nota de dez euros, o BCE propõe o compositor Beethoven; para a nota de 20 euros, surge a física e química Marie Curie; na nota de 50 euros, a personalidade escolhida é o dramaturgo Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote; para a nota de 100 euros, o BCE propõe a figura do Renascimento Leonardo da Vinci; finalmente, para a nota de 200 euros, surge a escritora e ativista Bertha von Suttner.


O segundo tema finalista é rios e aves. A nota de cinco euros mostra uma nascente de montanha e uma trepadeira-das-rochas, tendo no verso o Parlamento Europeu; a de dez euros tem uma cascata e um guarda-rios, e no verso consta a Comissão Europeia; a nota de 20 euros mostra um vale fluvial, surgindo no verso o Banco Central Europeu; na nota de 50 euros, temos uma cegonha-branca, com o verso dedicado ao Tribunal de Justiça da União Europeia; a nota de 100 euros ilustra uma foz fluvial e uma ave alfaiate, e no verso figuram o Conselho Europeu e o Conselho da União Europeia; por fim, a nota de 200 euros apresenta uma paisagem marítima, sendo acompanhada no verso pelo Tribunal de Contas Europeu.


A decisão final sobre qual dos temas será escolhido cabe ao Conselho do BCE, sendo esperada no final deste ano e terá por base vários contributos, “incluindo as conclusões do júri do concurso de desenho, uma avaliação técnica e os resultados dos dois inquéritos”. “O objetivo não é classificar os projetos, mas sim recolher a opinião pública sobre cada proposta, para apoiar a decisão sobre o projeto final, que ocorrerá no final de 2026. Digam-nos qual o projeto que preferem, e porquê”, referiu Lagarde.


Depois seguem-se os trabalhos técnicos de segurança, produção e testes. As notas desta nova série só entram em circulação em anos subsequentes, mantendo as notas das séries anteriores o seu valor e continuando a circular a par da nova série. A nota de 500 já não será produzida.


Um dos objetivos de uma nova geração de notas é também, diz o BCE, estar um passo à frente dos falsificadores. A nova série introduz elementos de segurança avançados, tornando-os mais difíceis de falsificar e mais fáceis de verificar por todos.


Mais do que uma mudança estética, o Banco Central Europeu entende ainda que as novas notas devem melhorar a inclusão e a acessibilidade. Têm de ser fáceis de utilizar por todos e o desenho deve facilitar o reconhecimento e utilização.


Por fim, o BCE quer reforçar a sustentabilidade ecológica e económica. Como uma nota de euro passa por muitas mãos, tem de ser duradoura e a nova série de notas é uma oportunidade para otimizar a produção e melhorar a sustentabilidade ecológica e durabilidade.