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Danger.exe traz um dos conceitos dos quadrinhos dos X-Men que eu não gosto tanto: a sala de treinamento ganhando vida. Entendo a intenção por trás da ideia de transformar um dos elementos mais clássicos da mitologia mutante, a Sala de Perigo, em algo mais do que um cenário para sequências de ação, com inspiração clara na clássica trama de inteligências artificiais ganhando vida para o mal e nos próprios temas dos mutantes sobre evolução e extinção, mas considerando que os Sentinelas já existem e que nada de muito criativo sai da sala de treinamento se rebelando (aqui ou nas HQs), nunca foi um conceito que me agradou. 

De qualquer forma, a Sala de Perigo serve aqui como desculpa para um bom episódio sobre legado, envolvendo os questionamentos de Xavier sobre o futuro dos mutantes depois da trágica morte de Magneto, algo que já vemos com muita força dramática no exercício “terapêutico” do Professor. Isso é interessante porque a série vem construindo Magneto não só como rival ideológico, mas como uma ausência estruturante, dando importância ao seu papel para além de vilão ocasional.

O episódio também acerta ao colocar Polaris no centro desse conflito, ainda continuando no tema geral de legado. Mesmo que seja uma personagem pouca usada até aqui, Lorna ganha um bom desenvolvimento ao longo do capítulo, servindo como meio de continuar a trajetória de Magneto com Xavier (ainda que muito provavelmente o personagem retorne dos mortos em algum momento). Bishop é outro que funciona bem como contraponto. Ele é menos explorado emocionalmente, mas sua presença traz uma objetividade importante para a crise e para Polaris, com boa dinâmica entre os dois.

As cenas de luta com a Sala de Perigo são razoáveis, mas pouco geram sensação de, bem, perigo. A vilã acaba funcionando como ponte para um capítulo de reorganização da temporada. Depois do desvio mais isolado do episódio anterior, Danger.exe recoloca a série em seu eixo central, mais uma vez com a sombra de Apocalipse. E o gancho final com Gambit ressuscitado como um dos Cavaleiros é interessante, apesar de ser um desdobramento que retira o peso da sua morte. Só não fico incomodado porque é exatamente o que eu esperava que fosse acontecer.

A decisão de Xavier de estabelecer a X-Corp em Genosha é uma decisão narrativa que achei excelente, talvez até dando dimensão política à animação. Sempre gosto quando as histórias dos X-Men crescem para além da mansão e das ameaças comuns para uma construção institucional dos mutantes, seja com Genosha, Krakoa ou a X-Corp.

Danger.exe, portanto, é um episódio mais irregular, seja no ritmo, seja na falta de urgência com seus conceitos mais fracos, mas também é usado como boa ponte para reorganizar a história. A volta de Apocalipse recoloca a trama do início da temporada em foco e, se tudo der certo, a X-Corp vai servir como uma desculpa para boas discussões temáticas. A partir daqui penso que os desvios devem diminuir, e só espero que não tenhamos um episódio do Mojo no horizonte… 

X-Men ’97 – 2X06: Danger.exe (EUA, 22 de julho de 2026)
Desenvolvimento: Beau DeMayo
Direção: Emmett Yonemura
Roteiro: Beau DeMayo, Mariah Wilson, Bailey Moore
Elenco: Ray Chase, Jennifer Hale, Alison Sealy-Smith, Cal Dodd, J. P. Karliak, Lenore Zann, George Buza, A. J. LoCascio, Holly Chou, Isaac Robinson-Smith, Matthew Waterson, Adrian Hough
Duração: 31 min.