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- Astrônomos liderados por Kevin Hoy, da Universidade Diego Portales (Chile), divulgaram na revista *Nature* a descoberta do sistema CD-35 2722, a ≈ 71 anos‑luz da Terra.
- O sistema inclui uma anã vermelha (≈ 40 % da massa solar), uma anã marrom (CD‑35 2722 B) que a orbita e, ao redor desta, um corpo com massa mínima de ≈ 0,9 Júpiter.
- O objeto de massa planetária não gira ao redor da estrela, mas sim em torno da anã marrom, formando uma hierarquia orbital inédita.
- A configuração desafia as categorias tradicionais usadas na astronomia para classificar planetas, luas e anãs marrons.
A descoberta de um sistema planetário localizado a aproximadamente 71 anos-luz da Terra fez com que astrônomos questionassem as categorias usadas para descrever corpos celestes.
Segundo um artigo publicado na revista Nature, a nova estrutura avistada, apelidada de CD-35 2722, é formada por uma estrela pequena, uma anã marrom e um objeto com pelo menos 90% da massa de Júpiter, mas o objeto de massa planetária não orbita diretamente a estrela. Em vez disso, ele está na órbita de uma anã marrom que orbita a estrela central.
O estudo foi liderado por Kevin Hoy, da Universidade Diego Portales, no Chile, com participação de pesquisadores do Observatório Europeu do Sul (ESO) e de outras instituições.
A CD-35 2722 tem como estrela principal uma anã vermelha com cerca de 40% da massa do Sol. Ao redor dessa anã está o objeto CD-35 2722 B, uma outra anã, mas marrom, que a orbita. E, orbitando a anã marrom, há um corpo com massa mínima equivalente a cerca de 0,9 vez a massa do planeta Júpiter.
Apesar de estar numa dinâmica similar à de uma lua, em um sistema hierárquico de órbitas que forma um sistema orbital, o objeto recém-identificado é muito diferente das luas conhecidas do nosso sistema, e seu corpo central não é um planeta, apesar de ser um objeto de escala planetária. Isso gerou dúvidas nos cientistas, que têm usado, por enquanto, a expressão “exossatélite” para se referir ao corpo.
“Exolua” seria uma classificação mais específica, mas a definição formal de lua fora do Sistema Solar ainda não está estabelecida.
De acordo com o estudo, embora mais de 6 mil exoplanetas tenham sido descobertos, nenhum satélite orbitando um exoplaneta foi confirmado de maneira incontestável até então.
A equipe analisou espectros da anã marrom obtidos com o instrumento CRIRES+, instalado no Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, no Chile, entre outubro de 2023 e fevereiro de 2026.
Os pesquisadores trabalham, agora, com duas hipóteses sobre a formação desse sistema curioso: a primeira é que o objeto tenha se formado ao redor da própria anã marrom e acumulado material suficiente para produzir um objeto de massa comparável à de Júpiter.
Já a segunda prevê uma situação de “captura gravitacional”, quando o objeto se forma em outra região do sistema e é capturado pela gravidade de um corpo, neste caso, da anã marrom, para a dinâmica.
Isso, no entanto, exige condições dinâmicas específicas, como a perda de energia orbital por parte do objeto.
Em geral, corpos podem migrar de suas regiões originais, trocar energia orbital, sofrer encontros gravitacionais e ser lançados para órbitas mais distantes.
Ainda não é possível determinar qual cenário é correto, e o líder do estudo, Kevin Hoy, afirmou à Reuters que o sistema em questão é “definitivamente estranho”, parte de uma história de formação complexa que ainda não se pode reconstruir.
Uma das implicações mais interessantes da descoberta é que ela reforça uma tendência já observada na astronomia moderna, que indica que o Sistema Solar não parece representar o padrão universal de formação planetária e seria, na verdade, uma espécie de exceção.
Isso porque as amostras indicam que há sistemas com planetas gigantes extremamente próximos de suas estrelas, ou outros em que vários planetas ficam compactados em órbitas menores do que a de Mercúrio, ou sistemas em que planetas orbitam duas estrelas simultaneamente, entre outras configurações.
Agora, a equipe pretende acompanhar o sistema com novas observações a fim de verificar se o sinal observado se repete de maneira consistente, o que vai permitir compreender melhor a órbita do objeto, que pode ser a primeira evidência de uma classe de objetos que os cientistas ainda não sabem exatamente como nomear.