Foto: Embraer – Imagem alterada digitalmente por AEROIN

A Grécia confirmou oficialmente que será a mais nova compradora do avião cargueiro militar Embraer KC-390, produzido no Brasil, e apontou as novas possibilidades que surgem com a chegada do novo jato.

Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 23 de julho, o ministro da Defesa da Grécia, Nikos Dendias, apresentou um grande plano de modernização das Forças Armadas, que inclui o jato brasileiro KC-390, produzido pela Embraer e líder de vendas no segmento, que chegará em 2027 na Força Aérea Helênica.

Como antecipamos aqui, a aquisição será feita por meio de um acordo com Portugal, parceiro estratégico do Brasil e servindo de ponto de apoio para o projeto dentro da OTAN. A Força Aérea Portuguesa comprou mais aeronaves do que a sua própria demanda interna para garantir slots de entrega e firmar parcerias intragovernamentais dentro do bloco atlântico, visando aumentar o número de aeronaves produzidas, já que a nação lusa tem um lucro de 11 milhões de euros por cada KC-390 vendido pela Embraer, dado o alto número de fornecedores primários portugueses.

“Este avião tem o dobro da velocidade do avião atual (C-130B/H Hércules) que a Força Aérea Helênica possui, mas o principal recurso que levou a esta decisão não é isso, apesar de a velocidade ser uma vantagem significativa, já que podemos fazer transferência de carga ou pessoal para o Chipre na metade do tempo ou com o dobro de recursos, mas, sim, a habilidade da aeronave de ter dupla funcionalidade simultânea, sendo cargueiro e avião-tanque“, afirmou Dendias.

Os Hércules da Grécia são dos modelos C-130B e C-130H, não sendo da versão KC-130 de reabastecimento em voo, que já foi operada pelo Brasil, por exemplo. O KC-390 já vem pronto de fábrica para reabastecimento em voo, sendo apenas necessário instalar o casulo com mangueiras nas pontas das asas e colocar o tanque de combustível no compartimento de cargas, num processo simples e rápido.

“Esta aeronave conseguirá abastecer tanto o Dassault Rafale quanto o Mirage 2000 em voo, o que significa estender o tempo de voo destes caças, principalmente o Rafale, que nos interessa muito, já que o limitante de tempo de voo seriam as questões biológicas do piloto, e não o tanque interno do avião“, disse Dendias.

Atualmente, todos os usuários do KC-390 que compraram o módulo de reabastecimento em voo (com exceção de Portugal) operam caças Gripen, no caso, Brasil, República Tcheca e Hungria. Dessa maneira, apenas foi homologado, por enquanto, além da transferência de combustível para o Northrop F-5 Tiger II, o reabastecimento realizado pelo avião da Embraer para o caça sueco fabricado pela Saab, que também atenderá a própria Força Aérea da Suécia, assim como a da Colômbia.

Naturalmente, também existe uma expectativa da homologação para o Eurofighter Typhoon (visando atender à Áustria), mas, curiosamente, os Emirados Árabes Unidos, que fizeram uma grande compra da aeronave brasileira, ainda não informaram se os seus aviões terão o kit de reabastecimento em voo. No caso, a frota helênica é quase idêntica à emiratense, contando com caças F-16 Falcon, e principalmente os franceses Rafale e Mirage; porém, os árabes já operam o Airbus A330 MRTT para reabastecimento em voo, enquanto será a primeira vez da Grécia com uma aeronave com essa capacidade.

O ministro grego também destacou outras capacidades da aeronave brasileira: “Ele também pode ser transformado num hospital móvel (configuração de evacuação aeromédica) e outras coisas. Mas é a primeira vez que a Força Aérea Helênica irá adquirir um avião-tanque, então você consegue entender as possibilidades que esta compra nos dá“.

Um jornalista questionou Dendias sobre a participação da Grécia no KC-390, perguntando sobre possíveis pacotes de offset (compensações) que o país teria por fazer um investimento para a compra de três aeronaves luso-brasileiras.

Foto: Ministério da Defesa da Grécia

Dendias respondeu afirmando que: “Tudo o que compramos tem ao menos 25% da Grécia. Não existe programa hoje nas Forças Armadas gregas que não atinja este percentual mínimo. Se tiver alguma exceção, será um caso especial e com informação específica sobre isso, com as razões específicas pelas quais foi fechado o acordo. No caso do KC-390, é uma aeronave cuja manutenção pode ser feita integralmente na Grécia, com as capacidades que temos e que iremos desenvolver em colaboração com a Embraer e os fornecedores portugueses. Isso significa, repito, que toda a manutenção, incluindo motores, será feita aqui. Isto significa que não teremos que ficar sem uma aeronave por um ano e meio porque tivemos que mandá-la para fora para realizar manutenção.”

Vale lembrar que a Embraer já possui acordos com a Força Aérea Helênica para a manutenção dos jatos R-99 de alerta aéreo antecipado (ERJ-145 AEW&C) e, em maio, assinou um Memorando de Entendimento (MoU) com a grega Hellenic Aerospace Industry (HAI) para fortalecer a cooperação estratégica, visando dar todo o apoio ao projeto KC-390 no país.

“Também o ciclo de manutenção desta aeronave é muito menor que o de outros aviões que temos. É por isso que estamos adquirindo três unidades nesta primeira fase: consideramos que o seu tempo de disponibilidade operacional é proporcionalmente muito maior do que se tivéssemos optado por três aeronaves de outro fabricante“, concluiu o ministro grego.

Logo após, Dendias respondeu a um repórter que perguntou sobre o status atual do sistema antiaéreo S-300, comprado da Rússia e que ganhou fama de ineficiente após a invasão da Ucrânia comandada por Moscou desde 2014. Segundo o ministro: “Como você sabe, antes de mais nada, o S-300 é um sistema que não está obsoleto, mas que já foi substituído pelo país fabricante por um sistema mais moderno. Ele atualmente faz parte do nosso arsenal, mas permita-me descrevê-lo como um item em fase de retirada.”