Arranca em setembro aquilo que Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC, adjetiva de “terceiro nível da arquitetura de confiança da COTEC”. O Intangible Value Lab – da Inovação ao Financiamento, é um programa de capacitação para pequenas e médias empresas (PME) que pretende responder “a uma falha estrutural da economia portuguesa: muitas empresas portuguesas inovam, desenvolvem conhecimento, tecnologia, dados, processos, mas não conseguem traduzir esses ativos em valor no mercado, nem demonstrá-lo de forma estruturada junto de bancos, investidores e parceiros”, explica Jorge Portugal numa conversa com o Dinheiro Vivo.

O objetivo é que as empresas consigam, depois, uma nova certificação – a IP Ready, que se junta assim à Inovadora e a Evolution, já reconhecidas pelo mercado. Espera-se, entretanto, que esta certificação altere a forma como empresas, bancos e reguladores avaliam o valor económico criado através de dados, software, processos, métodos de trabalho e conhecimento.

A iniciativa surge num momento em que os ativos intangíveis já representam 80% do crescimento económico, mas continuam praticamente invisíveis nos balanços das organizações. “Hoje, o valor das empresas está na camada de inteligência que colocam sobre as máquinas e não nas máquinas em si” continua Jorge Portugal. No entanto, o sistema financeiro e contabilístico ainda opera com modelos pensados para uma economia industrial, onde o tangível era o principal indicador de valor e de risco, realça. É por isso que Jorge Portugal acredita que esta nova iniciativa responde a três problemas centrais e urgentes: por um lado, o volume e valor dos ativos intangíveis que não estão registados nos balaços das empresas, porque não há ainda forma de o fazer que seja reconhecida por quem importa; depois, os bancos que continuam sem ter modelos para avaliar conhecimento, software ou dados, e baseiam os seus modelos de avaliação para concessão de financiamento apenas nos ativos tangíveis – que já não são os mais relevantes na maior parte das empresas. Pelo menos, não nas mais inovadoras e competitivas do mercado.

E, por último, mas não menos importante, o facto de essas mesmas organizações não conseguirem provar ao mercado o seu valor, porque aquilo que fazem não é ainda mensurável com critérios transversais e aceites por todos os agentes.

Com o IP Ready, a COTEC pretende replicar o impacto que a certificação Inovadora teve há uma década – quando passou a ser usada pelos bancos como referência para financiamento – agora aplicada ao universo dos ativos intangíveis.

Com isto vamos, espera Jorge Portugal, “conseguir criar uma linguagem comum entre empresas, bancos, contabilistas, ROC, entidades de propriedade intelectual e reguladores, que reduza a assimetria de informação que hoje impede o financiamento de inovação”.

“Vamos ter a capacidade de dizer: esta empresa combina bem os seus ativos tangíveis e intangíveis, protege-os, certifica-os e sabe transformá-los em valor económico”, continua. Até porque, “se eu vender uma empresa sem as pessoas, sem o conhecimento, e apenas com as máquinas, quanto é que ela vale?”, pergunta em jeito de provocação.