O uso de cabotegravir, uma injeção bimestral que previne a infecção pelo HIV se mostrou altamente eficaz em um novo estudo de vida real que analisou em mais longo prazo o uso da profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável.
Os resultados, divulgados pela ViiV Healthcare, líder em pesquisa e desenvolvimento de prevenção e tratamentos para o HIV, representada pela biofarmacêutica multinacional britânica GSK no Brasil, mostram que a taxa de incidência de infecção pelo HIV com o uso do fármaco foi de apenas 0,1% ao ano (ou 0,10 por 100 pessoas-ano).
Para Álvaro Costa, infectologista do Hospital das Clínicas e sub-investigador da Unidade de Pesquisa do Centro de Referência e Tratamento DST/Aids, isso indica um altíssimo nível de proteção.
— É uma ferramenta que praticamente barra definitivamente a infecção pelo HIV. Esses casos (relatados no estudo) são de pacientes que esqueceram, atrasaram as doses de injeção, enfim, que não tiveram uma adesão adequada (à terapia). Ou seja, na vida real, ele funciona muito, muito bem — afirma o médico.
Estudos de vida real como esse são importantes porque eles mostram “exatamente o que está acontecendo, com as oscilações da vida da pessoa. E você testa um número de pessoas e situações que, de repente, não apareceram nos estudos de fase 3”, explica Costa.