A eletrificação das frotas acelera a bom ritmo, mas nem todas as empresas se regem pela mesma batuta, uma vez que nem todas partilham das mesmas necessidades. Neste contexto, os híbridos plug-in (PHEV) continuam a desempenhar um papel fundamental no canal B2B, sobretudo em organizações que procuram simultaneamente equilibrar benefícios fiscais, flexibilidade de utilização e custos mais reduzidos.

Para a Audi, os PHEV são uma solução estratégica dentro da transição energética, especialmente num período em que a tecnologia evolui a um ritmo acelerado e as autonomias elétricas destes modelos já permitem uma utilização diária mais próxima daquela proporcionada por um 100% elétrico.

Qual o papel dos PHEV nas empresas? Qual a importância do TCO real nas decisões de frota e de que forma os desafios da mudança de hábitos e o impacto da digitalização podem ter na gestão de carros de empresa num futuro próximo? Para a nova diretora-geral da Audi no nosso país, a eletrificação das empresas exige uma abordagem estratégica e menos centrada na mera substituição de viaturas.

Durante algum tempo, podia pensar-se que os PHEV eram apenas uma tecnologia de transição. Atualmente, ganham cada vez mais peso nas empresas, dado os seus benefícios fiscais e mais autonomia. Qual é, afinal, o papel dos PHEV na estratégia de eletrificação da Audi, mais concretamente em Portugal?

Os híbrido plug-in têm hoje um papel muito relevante na estratégia de eletrificação da Audi. Mais do que uma tecnologia de transição, são uma solução muito equilibrada para clientes que procuram combinar condução elétrica no dia-a-dia com flexibilidade para viagens mais longas. Em Portugal, temos assistido a um interesse crescente por parte das empresas, impulsionado não só pelos benefícios fiscais, mas também pela evolução tecnológica destes modelos, que oferecem autonomias elétricas cada vez mais relevantes. Para a Audi, os PHEV são uma forma de nos adaptarmos ao mercado atual, tornando a transição para a mobilidade elétrica mais acessível e ajustada às diferentes necessidades dos clientes.

As empresas estão mais disponíveis para adotar um PHEV numa frota do que um 100% elétrico (BEV)? O que é que ainda trava esta passagem direta para BEV?

Muitas empresas continuam a ver os PHEV como uma solução intermédia bastante equilibrada, sobretudo pela flexibilidade que oferecem em diferentes tipos de utilização. Ainda assim, sentimos uma evolução muito positiva na adoção dos BEV, impulsionada pela crescente maturidade da tecnologia, pelo aumento da autonomia e pela expansão da infraestrutura de carregamento. Na realidade, não existe uma solução única para todos os clientes. Existem diferentes perfis de utilização, diferentes ritmos de transição e necessidades distintas dentro das próprias frotas. O mais importante é conseguir oferecer uma solução adaptada a cada cliente, seja ela PHEV ou BEV, acompanhando esta transformação de forma progressiva e sustentável.

Há alguns segmentos ou perfis de utilização onde o PHEV continue a ser a solução mais racional para uma frota?

Sim, sobretudo em perfis de utilização mais versáteis, onde existe uma combinação frequente entre percursos urbanos diários e viagens longas. Nestes casos, os PHEV podem representar uma solução muito completa, permitindo uma utilização maioritariamente elétrica no dia a dia, sem comprometer a flexibilidade necessária para deslocações de maior distância.

A fiscalidade, conforme atrás referido, continua a ser o grande motor da adoção de PHEV nas empresas, ou o argumento já começou a deslocar-se para o TCO real?

A fiscalidade continua naturalmente a ter um peso importante em decisões empresariais, sobretudo no contexto das frotas. No entanto, existe hoje uma preocupação crescente com o TCO real da viatura, onde entram fatores como os consumos, custos de utilização, eficiência energética e valor residual. Hoje, as empresas estão mais informadas e procuram soluções que conciliem benefício fiscal com eficiência operacional e adequação ao perfil de utilização da frota.

O PHEV estará a ser olhado pelas empresas como uma solução mais financeira e menos tecnológica. Isso preocupa a Audi?

Não necessariamente. É natural que as empresas analisem este tema também numa perspetiva financeira, sobretudo num contexto de gestão eficiente de custos de frota. Mas sentimos que a decisão está cada vez mais associada a uma visão global da mobilidade, que inclui eficiência, flexibilidade de utilização, sustentabilidade e experiência de condução. Os atuais PHEV oferecem já um nível tecnológico muito evoluído e permitem a muitos clientes dar um passo consistente na eletrificação, de forma ajustada às suas necessidades reais.

Um PHEV só faz sentido se for carregado regularmente. As empresas estão realmente a utilizar este tipo de motorização da forma correta? Têm exemplos de clientes vossos que possam partilhar?

Existe hoje uma maior consciência por parte das empresas e dos utilizadores sobre a importância de tirar o máximo partido da componente elétrica dos PHEV. Naturalmente, quanto mais regular for o carregamento, maior será a eficiência e os benefícios da utilização deste tipo de motorização. Temos vários clientes empresariais que já integraram os PHEV de forma muito eficaz nas suas frotas, sobretudo em perfis de utilização urbana ou mista, onde conseguem realizar grande parte das deslocações diárias em modo 100% elétrico. No entanto, mais do que casos específicos, sentimos uma evolução clara na forma como as empresas encaram e utilizam este tipo de tecnologia.

Existe o risco de algumas frotas estarem a usar os PHEV apenas como carros a combustão com benefício fiscal?

Mais do que falar de risco, diria que o verdadeiro potencial dos PHEV é maximizado quando existe uma utilização alinhada com as características da tecnologia. Quando carregados regularmente, permitem ganhos muito relevantes em termos de eficiência, consumos e redução de emissões. Atualmente, sentimos que as empresas estão mais conscientes disso e mais preparadas para integrar estas motorizações de forma eficiente nas suas políticas de mobilidade, adequando-as aos perfis de utilização certos.

O sucesso de um PHEV depende mais da tecnologia do carro ou do comportamento do condutor?

O sucesso de um PHEV resulta, acima de tudo, da combinação entre tecnologia e utilização. A tecnologia tem evoluído de forma muito significativa, com autonomias elétricas mais elevadas e sistemas cada vez mais eficientes e intuitivos. Contudo, o comportamento do utilizador continua a ser determinante, sobretudo na regularidade do carregamento e na forma como aproveita a condução elétrica no dia a dia. Quando existe esse alinhamento, os benefícios desta motorização são claramente potenciados.

As empresas que trabalham convosco já perceberam que eletrificar uma frota implica também mudar hábitos e cultura interna, mais do que apenas “trocar carros”?

Sim, sentimos que existe uma consciência cada vez maior de que a eletrificação vai muito além da substituição de viaturas. Uma transição energética verdadeiramente eficaz implica adaptação de processos, criação de novas rotinas e uma maior sensibilização dos utilizadores.

O que distingue uma empresa que faz esta transição de forma mais madura é precisamente a capacidade de integrar a mobilidade elétrica na sua cultura e estratégia de mobilidade, olhando para temas como carregamento, utilização eficiente da viatura e sustentabilidade de uma forma mais global e estruturada.

De que forma a atual gama PHEV da Audi foi pensada para responder às necessidades concretas das empresas e gestores de frota?

A atual gama PHEV da Audi foi desenvolvida para responder a diferentes perfis de utilização empresarial, conciliando eficiência, flexibilidade e conforto de utilização. Hoje, os gestores de frota procuram soluções que permitam reduzir consumos e emissões, sem comprometer autonomia, performance ou experiência de condução.

A evolução das autonomias elétricas nos PHEV altera completamente a lógica de utilização destes automóveis?

Sim, altera de forma muito relevante. Com autonomias elétricas mais elevadas, os PHEV passam a permitir uma utilização diária maioritariamente elétrica em muitos perfis de condução. Isto torna a tecnologia ainda mais interessante para empresas, porque aproxima a experiência de utilização de um BEV no dia a dia, mantendo a flexibilidade para deslocações mais longas.

A Audi fala cada vez mais de digitalização e Functions on Demand. Como é que isso pode impactar a gestão de frotas no futuro?

A digitalização terá um impacto cada vez maior na gestão de frotas, permitindo soluções mais flexíveis, eficientes e ajustadas à utilização real de cada viatura. As Functions on Demand podem permitir ativar determinadas funcionalidades de acordo com as necessidades de cada cliente ou momento, contribuindo para uma gestão mais personalizada e otimizada das frotas.

Acredita que o automóvel empresarial vai deixar de ser um produto “fixo” para passar a ser um serviço configurável conforme a utilização?

Acredito que caminhamos cada vez mais nessa direção. O automóvel continuará a ter uma dimensão física e emocional muito importante, sobretudo numa marca premium como a Audi, mas a digitalização vai permitir uma experiência mais flexível e configurável. Para as empresas, isso poderá traduzir-se numa maior capacidade de adaptar a viatura às necessidades concretas de utilização ao longo do seu ciclo de vida.

Acha que, em cinco anos, o verdadeiro diferencial numa viatura premium para empresas será o motor ou o software?

Diria que será a combinação dos dois. A motorização continuará a ser relevante, sobretudo pela eficiência, autonomia e performance, mas o software terá um peso cada vez maior na diferenciação da experiência premium. Nas empresas, esse diferencial estará também na conectividade, na facilidade de gestão, na segurança e na capacidade de adaptar funcionalidades às necessidades de cada frota.

Numa nota mais pessoal, o que acha que ainda falta acontecer em Portugal para que a transição energética das frotas avance ao ritmo que a indústria prevê?

Portugal tem feito um caminho positivo, mas ainda há espaço para acelerar a transição. Na minha perspetiva, é essencial continuar a reforçar a infraestrutura de carregamento, simplificar a experiência de utilização e garantir maior previsibilidade nos incentivos e enquadramento fiscal. Ao mesmo tempo, é importante continuar a sensibilizar empresas e utilizadores, porque a transição energética não depende apenas da tecnologia, mas também da confiança e da adaptação de hábitos.

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