General Motors

A General Motors lança o alerta: a crise das memórias pode custar-lhe milhares de milhões de dólares.
A escassez de memória provocada pela corrida à inteligência artificial já fez disparar os preços dos computadores e das consolas de videojogos. Agora, parece ter chegado a vez dos automóveis.
Por todo o mundo, os construtores começam a sentir a subida dos custos da memória e o aperto no abastecimento. O exemplo mais recente vem da General Motors, conta o Gizmodo.
No relatório de resultados do segundo trimestre, a empresa prevê que os preços dos veículos na América do Norte subam cerca de 0,5% este ano.
Segundo disse esta semana aos investidores o diretor financeiro da empresa, Paul Jacobson, a GM conta enfrentar, só este ano, entre 1,5 e 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,3 a 1,8 mil milhões de euros) em custos acrescidos com matérias-primas, logística e memória DRAM.
Os avisos chegam poucas semanas depois de a GM e a Ford terem assinado, cada uma por seu lado, acordos de fornecimento de longo prazo com a Micron, para assegurar memória e armazenamento nos modelos futuros.
O objetivo das duas empresas é blindar as cadeias de abastecimento numa altura em que os centros de dados de IA absorvem uma fatia cada vez maior da memória que se produz no mundo.
Segundo o Tom’s Hardware, projetos colossais de datacenters, como o Stargate da OpenAI, exigem mais centenas de milhares de wafers de DRAM por mês, quase 40% de toda a produção do planeta.
A resposta dos fabricantes foi clara. A SK Hynix, a Samsung e a Micron passaram a dar prioridade aos clientes dos centros de dados, em detrimento da eletrónica de consumo. A Micron foi ao ponto de encerrar a Crucial, a sua marca virada para o consumidor, para se dedicar de vez à procura desses centros.
É essa viragem que está por trás da falta de memória na eletrónica de consumo — a crise a que muitos já chamam “RAMpocalipse“.
Foi ela que levou a Apple a subir, no mês passado, o preço de vários produtos. A Microsoft não tardou a seguir-lhe as passadas, com aumentos na Xbox.
E a GM está longe de ser o único construtor a dar o alarme. Segundo o Nikkei Asia, a BYD, gigante chinesa dos automóveis elétricos, já aumentou este ano em mais de 20% o preço dos sistemas de assistência à condução que vende à parte.
A construtora justificou a subida com a forte alta dos custos globais do hardware de armazenamento, dizendo querer manter a qualidade dos seus produtos.
Na Coreia do Sul, a Hyundai Mobis, braço de componentes do Hyundai Motor Group, já tinha pedido a 23 empresas e instituições do país, entre as quais a Samsung, que unissem esforços para reforçar a cadeia de fornecimento de chips automóveis.
Entretanto, os novos modelos de carros são lançados com funcionalidades cada vez mais sofisticadas — e famintas de memória. Algo como juntar a fome à vontade de comer…