O multimilionário obcecado com a longevidade anunciou que criou um clone de si próprio. Será que isto é possível?
Bryan Johnson disse que criou um clone de si mesmo
Numa publicação no X, Bryan Johnson escreveu que tinha acabado de se “clonar como um recém-nascido”.
Segundo o empresário, esta réplica em laboratório, a que chamou “baby-Bryan”, poderá servir vários propósitos, desde tornar-se o seu próprio “dador de sangue jovem” até permitir testar terapias, desenvolver novos tratamentos e, no futuro, cultivar órgãos para transplante.
Reconhecendo que a ideia possa soar “distópica” para muita gente, Johnson defendeu que representa o “futuro inevitável da saúde”.
O empresário, de 48 anos, já é conhecido por gastar milhões de dólares por ano no projeto Blueprint, uma tentativa de travar o envelhecimento do próprio corpo.
Curiosamente, o anúncio surge poucas semanas depois de o multimilionário ter revelado publicamente que foi diagnosticado com gastrite autoimune, uma doença incurável que afeta a produção de ácido no estômago.
I just cloned myself…as a newborn
With this clone, I can:
+ become my own blood boy
+ test therapies on the clone
+ grow organs for transplantation
+ develop new treatments
+ inject young cellsThis baby-bryan lives in a petri dish for now.
This may be scary to some… pic.twitter.com/Ved8ij9Col
— Bryan Johnson (@bryan_johnson) July 21, 2026
A ciência por detrás do clone
Apesar do termo escolhido, não existe qualquer bebé, embrião ou segunda versão de Bryan Johnson a crescer num laboratório. Ou seja, não existe literalmente um clone.
Na mesma publicação, o próprio explicou que recolheu uma amostra de sangue, extraiu células e submeteu-as a “fatores de Yamanaka”, um conjunto de quatro proteínas capazes de reprogramar células adultas, devolvendo-as a um estado semelhante ao embrionário.
Esta técnica tem um nome: células estaminais pluripotentes induzidas, ou induced pluripotent stem cells (iPSC); e foi desenvolvida na década de 2000 pelo investigador japonês Shinya Yamanaka, distinção que lhe valeu o Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina em 2012.
Na prática, as células tornam-se pluripotentes, ou seja, ganham a capacidade de se diferenciar em praticamente qualquer tipo de célula do corpo humano, desde neurónios, células cardíacas e células da retina, até outras.
Com este trunfo, o multimilionário espera, um dia, usar essa versatilidade para reparar órgãos danificados, com a vantagem de serem geneticamente idênticas às suas, reduzindo o risco de rejeição.
Como as células iPS são utilizadas na medicina regenerativa, na descoberta de medicamentos e na investigação de mecanismos patológicos.
Estará o multimilionário a pedir demais?
A tecnologia de iPSC já está a ser usada, de facto, em ensaios clínicos, nomeadamente para tentar restaurar neurónios relacionados com a doença de Parkinson ou regenerar tecido cardíaco e da retina.
Contudo, a promessa de cultivar órgãos completos a partir destas células é mais especulativa. Até hoje, a ciência ainda não conseguiu desenvolver uma técnica fiável para produzir órgãos funcionais desta forma.
De facto, ainda que existam experiências promissoras, como o crescimento de rins humanos em fase inicial dentro de porcos, nenhuma chegou perto de uma transplantação real. Aliás, os testes foram interrompidos ainda na fase embrionária do órgão.

