A tecnologia Direct to Cell da Starlink foi utilizada pela primeira vez em Espanha numa situação de emergência real. A ativação ocorreu devido aos grandes incêndios que atingem as regiões de Madrid, Ávila e Toledo, onde várias infraestruturas de telecomunicações ficaram destruídas ou inoperacionais, deixando milhares de pessoas sem cobertura móvel.

Ilustração Starlink em Espanha

Espanha: satélites substituem temporariamente as antenas

Perante os danos causados pelo fogo em antenas de telecomunicações e ligações de fibra ótica, as operadoras espanholas recorreram à rede de satélites da Starlink para restabelecer um serviço mínimo de comunicações.

Movistar e MasOrange ativaram o serviço Direct to Cell, permitindo que smartphones compatíveis se liguem diretamente aos satélites, sem necessidade de antenas parabólicas ou equipamentos adicionais. A ligação é feita automaticamente sempre que o telefone perde acesso à rede móvel terrestre.

Serviço gratuito para os afetados

Segundo as operadoras, os clientes abrangidos nas zonas afetadas podem utilizar esta conectividade sem qualquer custo adicional durante a situação de emergência.

Nesta fase, o objetivo é garantir funções essenciais, como:

  • Chamadas de emergência;
  • Envio e receção de SMS;
  • Partilha da localização;
  • Acesso limitado a aplicações de mensagens e navegação.

O desempenho não é equivalente ao de uma rede 4G ou 5G convencional, mas permite manter comunicações quando toda a infraestrutura terrestre deixa de funcionar.

Os incêndios florestais que afetaram o centro da península (Madrid, Ávila e Toledo) e pontos do leste, como Vall d’Uixó, levaram as operadoras a ativar medidas de emergência para manter a comunicação nas áreas mais afetadas.

Foi necessária uma autorização excecional

A utilização deste serviço exigiu uma autorização extraordinária do Ministério para a Transformação Digital de Espanha.

A autorização permitiu que a Starlink utilizasse, a partir do espaço, frequências normalmente reservadas às redes móveis terrestres, algo que apenas foi aprovado devido ao contexto de emergência provocado pelos incêndios.

Um teste real para o Direct to Cell

Embora a Starlink e a MasOrange já tivessem anunciado um projeto-piloto desta tecnologia no início de 2026, esta é a primeira vez que o sistema é utilizado numa situação de desastre em território espanhol.

A experiência poderá servir como demonstração prática da utilidade das redes de satélites de baixa órbita como complemento às redes móveis tradicionais, sobretudo em cenários de catástrofes naturais ou falhas generalizadas das infraestruturas.

Como funciona o Direct to Cell?

Ao contrário do serviço tradicional da Starlink, que necessita de uma antena instalada no local, o Direct to Cell transforma os satélites em autênticas estações-base móveis no espaço.

Quando um smartphone compatível fica sem cobertura terrestre, procura automaticamente um satélite da constelação Starlink. Se o operador suportar o serviço, a ligação é estabelecida de forma transparente para o utilizador.

A tecnologia foi concebida para funcionar com telemóveis convencionais, sem alterações de hardware, desde que sejam compatíveis e que a operadora tenha um acordo com a Starlink.

Smartphones compatíveis

Os modelos atualmente suportados incluem:

Apple

  • iPhone 13 (em alguns operadores, como a T-Mobile)
  • iPhone 14 (todos os modelos)
  • iPhone 15 (todos os modelos)
  • iPhone 16 (todos os modelos)

Samsung

  • Galaxy S21, S22, S23, S24 e S25 (incluindo Plus, Ultra e FE)
  • Galaxy Z Flip 3 e posteriores
  • Galaxy Z Fold 3 e posteriores
  • Galaxy A14, A15, A16, A35, A36, A53 e A54
  • XCover 6 Pro e XCover 7 Pro

Google

  • Pixel 9
  • Pixel 9 Pro
  • Pixel 9 Pro XL
  • Pixel 9 Pro Fold

Motorola

  • Razr 2024 e posteriores
  • Razr+
  • Razr Ultra 2025
  • Edge 2024
  • Moto G 2024 (incluindo Stylus)

Outras marcas

Em alguns mercados começaram a surgir modelos compatíveis da Honor, OPPO, Vivo, Xiaomi e Redmi, mas a disponibilidade depende do operador e ainda não existe uma lista oficial global.

Um futuro complemento às redes móveis

A utilização desta tecnologia durante os incêndios poderá acelerar a adoção comercial do Direct to Cell em Espanha e noutros países europeus. Portugal poderá beneficiar pela proximidade e pela posição geoestratégica.

O objetivo não passa por substituir as redes móveis tradicionais, mas por oferecer uma camada adicional de cobertura em zonas remotas ou quando as infraestruturas terrestres ficam indisponíveis devido a incêndios, tempestades, sismos ou outras catástrofes naturais.