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Os dois homens chegam juntos ao Café Number One, em Roma. Pedem duas cervejas e sentam-se numa mesa junto à porta. Um deles, o mais novo, tem visão direta para uma das principais avenidas da capital italiana, na zona de Trastevere. Está um dia agradável. Neste final de maio de 2016, a temperatura está perto dos 27 graus. É um dos dias mais quentes do mês. É quase 13h e o café está praticamente deserto. Uma mulher entra e vai direto ao balcão. O homem mais novo move ligeiramente a cabeça para a esquerda, na direção dela. Mas rapidamente perde o interesse. Deve ser só mais uma cliente. E volta a concentrar-se na conversa. Na realidade, aquela mulher não é só mais uma cliente. Faz parte de uma megaoperação policial que junta quase 30 inspetores de dois países e ainda oficiais de ligação da Interpol. Há três horas que seguem um daqueles homens pelas ruas da cidade. Agora, observam com muita atenção cada movimento dos dois. E avaliam o momento certo para avançar. O mais velho agarra numa caneta e escreve alguns nomes na folha que tem à frente. De seguida, desliza-a pelo tampo de castanho da mesa. O outro pega na folha e lê com atenção. Depois, guarda o papel numa pasta de plástico azul. E finalmente coloca a pasta dentro de uma mochila cinzenta. Lá fora, veste-se um nervosismo entre os inspetores que lideram a vigilância. Sentem que estão ali há demasiado tempo. Temem ser descobertos. A inspetora que acaba de entrar no café nem sequer foi a primeira a aproximar-se dos dois homens. Eles podem começar a suspeitar de alguma coisa. É preciso tomar uma decisão. Esperar, mesmo que seja só mais um pouco, pode comprometer uma investigação que já dura há seis meses. Até agora, nenhum dos suspeitos se apercebeu de que estão a ser observados, mas o risco é enorme. Eles foram treinados precisamente para detetar operações de vigilância. São ambos espiões. O homem mais novo é russo, o mais velho é português. Frederico Carvalhão Gil. É um dos agentes mais antigos das secretas portuguesas. Está há quase 30 anos no SIS, os Serviços de Informações e Segurança. Passou por quase todas as áreas da espionagem. Foi subindo na hierarquia e chegou rapidamente a um cargo de responsabilidade. Mas no final da década de 1990, durante uma missão em Israel, cometeu uma falha considerada muito grave e a consequência foi dura: despromoção imediata. A partir desse momento, a carreira dele estagnou. Agora, quase 20 anos mais tarde, o caso é ainda mais grave. Ele é o alvo de uma operação sem paralelo nas secretas portuguesas. É suspeito de ter passado documentos classificados da NATO e segredos do Estado português à Rússia. Numa investigação que se vai prolongar por vários meses e vai envolver também as secretas eslovenas, a polícia italiana, a Interpol e a CIA, a Polícia Judiciária vai descobrir a vida dupla de Frederico Carvalhão Gil. As idas diárias a bares de striptease, as relações com mulheres da Europa de Leste, as ligações à maçonaria, o dinheiro vivo escondido em casa e os encontros com um agente russo. Sobre Carvalhão Gil paira a suspeita mais grave para um espião: a de ser um traidor ao serviço de Vladimir Putin. A vida dupla do espião traidor é uma série para ouvir em seis episódios que faz parte dos podcast plus do Observador. É narrada por mim, Ivo Canelas, com banda sonora original de Bruno Pernadas. Episódio um: há uma toupeira à solta no SIS.

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Dezanove de junho de 2015. Forte da Ameixoeira, Lisboa. Ainda falta quase um ano para aquele encontro clandestino em Roma. No gabinete do diretor-geral do SIS, no histórico complexo militar que agora é a sede dos Serviços de Informações portugueses, a secretária avisa Neiva da Cruz. A mulher de quem tem estado à espera acaba de chegar ao edifício. A informação que traz é crítica para as secretas portuguesas. A mensagem tem de ser entregue com a maior brevidade. Levam-na pelos túneis que conduzem até ao gabinete do diretor-geral do SIS. As paredes brancas são iluminadas por uma luz ténue. O caminho pode tornar-se labiríntico para quem não conhece aquele emaranhado de corredores. A mulher passa por três portas. Primeiro, uma de vidro. Depois, uma de madeira, à esquerda. Por fim, outra, agora à direita. Chega finalmente ao gabinete do responsável máximo do SIS. Está ali em representação de um serviço de informações estrangeiro. É funcionária das secretas norte-americanas. Trabalha pra CIA. Na mão, traz uma pasta simples. Lá dentro, guardou uma folha. E nessa folha está escrito um nome. Depois de um breve cumprimento, Neiva da Cruz sugere-lhe que se sentem nos sofás pretos a um dos cantos da sala. A espia não perde tempo e estende a pasta ao diretor do SIS. Neiva da Cruz abre-a e lê: “Frederico Carvalhão Gil”. O diretor reconhece o nome de imediato. Carvalhão Gil foi um dos primeiros funcionários a entrar para as secretas. Está no SIS desde 1987 e já exerceu altas responsabilidades nos Serviços de Informações. O semblante da agente da CIA é pesado. Além daquele nome, tem uma mensagem pra entregar. É imperativo que o alerta seja claro. A lealdade daquele espião tem de ser verificada. A CIA recebeu informações de que Carvalhão Gil se encontrou com agentes do SVR, a agência internacional dos serviços secretos russos. E não é de agora. Já acontece há anos. Há fortes suspeitas de que foi virado. Na gíria dos Serviços de Informações, a expressão “virado” é sinônimo de traição. É isso que está ali em causa. Carvalhão Gil está a ser sinalizado por haver evidências claras de que está a ser controlado por um serviço de informações estrangeiro. E não é um serviço qualquer. Carvalhão Gil estará a ser controlado pelas secretas russas. Vendeu-se ao SVR. O que o diretor das secretas acaba de ouvir não é uma surpresa total. Na verdade, há três meses que a suspeita paira pelo Forte da Ameixoeira. Alguma coisa mudou desde o início de 2015. Foi a partir dessa altura que, subitamente, algumas operações das secretas portuguesas começaram a falhar. Aconteceu em momentos que deviam ser de pura rotina, de recolha de informação sobre figuras de interesse. Podia ser um elemento do corpo diplomático, um empresário ou até um jornalista Os relatórios de várias dessas operações começaram a referir, uma e outra vez, que os alvos não apareciam onde eram esperados. Não existia encontro. E havia um dado comum a todas essas operações fracassadas. De uma forma ou de outra, todos os alvos tinham algum tipo de relação com a Federação Russa. O que estava a acontecer não era normal e a cúpula do SIS começou a questionar-se sobre a situação. Só havia uma explicação: os alvos sabiam que estavam a ser vigiados. E isso só era possível se alguém dos próprios serviços estivesse a passar informações para o exterior. A conclusão era alarmante. Havia uma toupeira nas secretas portuguesas. O assunto foi discutido ao mais alto nível. O momento era sensível. Um dos mais sensíveis das últimas quatro décadas. O caso foi mantido num círculo absolutamente restrito. Júlio Pereira, o secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa, que manda em todos os serviços secretos do país. Neiva da Cruz, diretor do SIS, e o braço direito dele, Gil Vicente. Havia um grupo muito reduzido de agentes suspeitos. Entre eles, estava Carvalhão Gil. Quando chega a confirmação da CIA, o espião está colocado como analista no Departamento de Contraterrorismo das Secretas. Foi-lhe atribuída, há mais de uma década, a pasta dos Balcãs e da Ásia Central. Só que paralelamente, ele também é o representante do SIS nos exercícios de gestão de crises da NATO. E isso garante-lhe acesso direto a informação sensível sobre como os vários membros da organização militar respondem a eventos críticos. Se as suspeitas se confirmarem, o espião português conseguiu ter acesso a estes documentos secretos da NATO e entregou-os a uma potência estrangeira. É preciso isolá-lo, sem que Carvalhão Gil se aperceba do que está a acontecer. A solução passa por lhe atribuir uma missão especial. Ao longo dos próximos meses, vai ocupar-se de um único tema. É um pedido direto e especial da chefia do SIS. O assunto, explicam-lhe, é delicado e só ele pode resolvê-lo. Neiva da Cruz pede-lhe dedicação total. É uma solução de fachada, que permite afastá-lo das informações mais sensíveis a que tinha acesso até este momento. Informações que podem comprometer a segurança da própria NATO. E também permite aos serviços ganhar algum tempo e recolher mais informação. Assegurar-se de que o caso é sólido. Na teoria, o plano não levanta dúvidas. Na prática, a situação é diferente. E a direção das secretas vai ter uma dificuldade acrescida. No SIS, mais ninguém sabe que ele está a ser investigado. Todos os dias, Carvalhão Gil entra no forte da Ameixoeira e continua a sentar-se, como é normal, ao lado dos colegas no departamento de Contraterrorismo. Colegas que, ao contrário do que está a acontecer com ele, continuam a ter acesso permanente a informações classificadas. E se o espião mostra interesse em ler certos documentos, os colegas passam-lhe essas informações. Para eles, não há nada de estranho nisso. Carvalhão Gil não pode desconfiar que tem um alvo nas costas, para não comprometer a investigação interna. Júlio Pereira, o diretor do SIRP, quer fazê-lo pagar por aquela traição. É preciso juntar informações concretas à denúncia que as secretas norte-americanas fizeram ao SIS. E é preciso recolher provas que possam ser usadas em tribunal. Em que momentos o espião esteve fora do serviço? Quando tirou férias? E em que período pediu para ficar de folga? Por onde é que ele andou? Que viagens fez? Durante quanto tempo? Cada uma dessas perguntas vai ter direito a uma resposta. É só uma questão de tempo. São descobertas cinco deslocações suspeitas entre 2011 e 2015. O SIS sabe agora que nos últimos quatro anos, Carvalhão Gil esteve em Marrocos, na Eslováquia, em Itália e na Suíça. E sabe também que em nenhum desses momentos ele avisou as chefias de que ia estar fora do país. Ao não fazer isso, violou as regras internas de funcionamento do SIS. Foi o primeiro erro do espião. Há uma razão para o interesse da Rússia em informações da NATO: capacidade de antecipação. Putin precisa de saber exatamente o que o adversário fará se Moscovo começar a avançar para Ocidente. Em fevereiro de 2014, a Ucrânia está à beira de uma guerra civil. Nas ruas de Kiev, há violentos protestos contra o presidente Viktor Yanukovych. À revelia da maioria dos deputados do Parlamento, Yanukovych acaba de abandonar o processo de negociações para uma aproximação do país à União Europeia. A pressão da Rússia foi mais forte. A decisão faz disparar a revolta popular. Durante três meses, milhares de pessoas vão acampar na Praça da Liberdade, em Kiev. Perante o escalar da tensão, Yanukovych foge do país através da Crimeia, em direção a Moscovo. No dia seguinte, é formalmente deposto pelo Parlamento ucraniano. Pouco depois, a Rússia lança a operação militar que culmina com a ocupação da Crimeia. É nesta altura que Putin começa a reforçar as tentativas de penetrar nos serviços secretos de vários países ocidentais. Moscovo quer saber o que planeiam as principais potências mundiais e, sobretudo, quer saber como é que a NATO agirá num momento de crise. Há vários caminhos possíveis para a Rússia se infiltrar nas linhas do inimigo. Militares, responsáveis políticos, diplomatas e até empresários são alvos naturais. Mas os espiões também. É por eles que passam as informações mais sensíveis. O jornalista russo Andrei Soldatov estuda há mais de duas décadas o modo de funcionamento de organizações como o KGB, que depois deu origem, entre outros, ao SVR.

Diria que em 2014, 2015, as três principais agências de informações russas, incluindo o SVR, o Serviço de Informações Externas da Rússia, se tornaram extremamente agressivas, muito mais do que 10 ou 15 anos antes. Isso aplica-se a muitos países, incluindo Portugal. O principal interesse do SVR num país como Portugal é o acesso ao sistema da NATO, porque todos os países-membros da NATO têm acesso à informação partilhada entre os aliados. Assim, se não for possível obter acesso direto, por exemplo, a segredos americanos, pode tentar-se contornar isso através do acesso aos sistemas da NATO a partir de Portugal.

Soldatov explica que há um modo de operar que é comum a todos os países que integram a NATO. Têm os mesmos códigos, fazem parte de uma rede única de comunicações, partilham um ADN operacional. E os serviços de informações portuguesas são uma das janelas possíveis para chegar a dados vitais.

Quando se criam sistemas como o da NATO, que envolvem partilha de informações e exercícios conjuntos, isso implica procedimentos comuns adotados por todos os estados-membros. Ou seja, os protocolos de segurança da NATO são partilhados por todos os países. Se quiseres perceber, por exemplo, como funciona a segurança no Reino Unido, podes falar com alguém em Portugal e ter uma ideia de como as coisas são feitas na Bélgica, no Reino Unido, em França ou na Alemanha. Tudo é de interesse, até perceber como os e-mails são escritos nos sistemas internos. Com esse conhecimento, podes imitar esses e-mails, enviá-los a alvos e organizar operações eficazes, fazendo-te passar por outra pessoa. Mas para te fazeres passar por outra pessoa, precisas de saber como as pessoas realmente comunicam dentro desses sistemas. Mesmo que este agente em particular não tivesse acesso a informação altamente sensível, sabia como tudo estava organizado internamente.

Como representante do SIS, Carvalhão Gil tem acesso aos exercícios regulares de gestão de crises da NATO. Nesses encontros, que acontecem uma vez por ano, os parceiros da NATO testam respostas a situações de crise. Os cenários são sempre fictícios. Os países-alvo de ataque, na realidade, nem sequer existem, mas as ameaças são reais e a forma como os aliados reagem a elas, também. E é justamente isso que Moscovo quer saber.

Não há nenhum serviço de informações que esteja imune, passe a expressão, a toupeiras. Nenhum.

Frederico Carvalhão Gil não é caso único, assinala Rui Pereira, antigo diretor do SIS e ex-ministro da Administração Interna. Daniel Sanches, que também liderou o Serviço de Informações de Segurança, diz mesmo que a existência de toupeiras é inevitável.

Porque isso afeta sempre a credibilidade dos serviços. Haver uma toupeira, como são chamados na designação dos serviços de informações, é sempre terrível. Seja ele que serviço for, mas não há serviços quase sem toupeiras, se reparar bem. Se vir a história universal das informações, há toupeiras por todo lado. Onde há sigilo, há sempre a quebra de sigilo. Portanto, haverá mais casos. Alguns que ainda não foram descobertos.

Nos anos 1960, os serviços secretos ingleses descobriram um grupo de cinco altos funcionários que espiavam para a União Soviética e eram liderados por Kim Philby, que recebeu a honra de ser enterrado na Praça Vermelha, em Moscovo. Mais recentemente, nos Estados Unidos, a CIA apanhou Aldrich Ames, ao fim de décadas de traição.

“Friend”, I said. You say “yes”. “Genuine friend”, I said. You say “yes” again. But you gave him up nevertheless.

That’s right. Funcionário da Agência de Informações norte-americana durante mais de 30 anos, morreu em janeiro de 2026, aos 84 anos, numa prisão federal.

You couldn’t possibly have known that.

I was taking a risk.

You were taking a risk with his life.

That’s right. Foi o maior traidor da história da CIA. Em 2023, Carsten L., funcionário das secretas alemãs, foi detido e acusado de traição, por suspeitas de passar informação classificada à Rússia a troco de dinheiro. Para conseguirem descobrir as toupeiras, os serviços têm de estar sempre alerta, diz Rui Pereira.

O ponto máximo a que eu cheguei nessa matéria foi, a certa altura, falar com os serviços canadianos a propósito do polígrafo, porque há serviços estrangeiros, incluindo a CIA, que sujeitam agentes ao polígrafo. Aliás, a CIA tem uma história curiosíssima de um dirigente conhecido que foi sujeito ao polígrafo, revelou que estaria a mentir e ninguém acreditou nessa revelação, porque tinham tanta confiança nele, porque achavam que o polígrafo é que estava enganado. Mais tarde, confirmou-se.

Na gíria da espionagem, há um acrônimo bem conhecido: MICE. Money, ideology, coercion and ego. Em português, pode traduzir-se por: dinheiro, ideologia, coação e ego. São as quatro principais razões para um espião se tornar agente duplo.

Normalmente, trata-se de coisas muito básicas. Pode haver dinheiro envolvido, pode haver informação comprometedora. Se um agente se envolver com mulheres da Europa de Leste, isso pode criar oportunidades interessantes para os serviços russos. Pode também haver motivação ideológica. Já no final da década de 2010, muitas pessoas viam a Rússia, e Putin, em particular, como alguém capaz de enfrentar a hegemonia americana. Algumas pessoas podem achar que ajudar a Rússia é uma forma de contrabalançar o domínio dos Estados Unidos.

Ninguém sabe ao certo o que levou Frederico Carvalhão Gil a aproximar-se de espiões russos, mas a forma como ele terá sido abordado parece tirada do manual de recrutamento das secretas russas. O método está estudado ao pormenor. São os próprios agentes do SVR que escolhem os alvos. Depois, fazem um primeiro contacto, de forma aparentemente fortuita, para avaliar se esses alvos têm ou não interesse em colaborar com Moscovo. A versão que Carvalhão Gil vai contar mais tarde é a de que conheceu o espião russo por absoluto acaso, numa esplanada de Lisboa, junto ao Padrão dos Descobrimentos. Diz que ouviu um homem falar russo na mesa ao lado, meteu conversa e acabaram os dois a passear por Belém. Garante que falaram apenas sobre negócios e nunca sobre espionagem. No final desse encontro, combinaram voltar a ver-se dali a uns meses, fora de Portugal. Novembro de 2015. Carvalhão Gil informa o responsável do departamento de contraterrorismo do SIS de que precisa de tirar uma folga. Pede dispensa de serviço e diz que tem assuntos pessoais a tratar. Não vai estar a trabalhar no dia 6 de novembro, uma sexta-feira. O espião diz que vai ter de ir a Castelo Branco e a Coimbra. É natural da Beira Baixa, onde tem família. Por isso mesmo, ninguém estranha o pedido. Mas não é nada disso que vai acontecer. Carvalhão Gil não vai estar em Castelo Branco e também não vai viajar para Coimbra. Na verdade, nem sequer vai estar no país naqueles dias. E também não vai estar sozinho. A diferença é que, desta vez, o SIS sabe que ele está a mentir. Naquele fim de semana, o espião vai viajar até à capital da Eslovénia. As secretas portuguesas pedem ajuda internacional. Em Liubliana, os espiões eslovenos mantêm o português sob vigilância e, no final, enviam para a sede do SIS uma mensagem encriptada. São apenas dois fotogramas, mas vão ser decisivos pra investigação. Mas essa é uma história para o próximo episódio. No entanto, se for assinante standard ou premium do Observador, pode ouvir já todos os seis episódios. Se ainda não for, basta assinar em observador.pt/assinar. No próximo episódio.

Era difícil montar uma vigilância a um indivíduo que, para já, também te conhece as técnicas.

Teve logo a noção da gravidade do assunto. Felizmente, são casos únicos, poucos, que acontecem de tal forma que me chamou antes mesmo de ter decidido o que é que ia fazer a seguir.

Os meios de comunicação, as viaturas, os contratos. Andámos à procura de movimentos financeiros estranhos.

O suspeito, sendo abordado sem prova, naturalmente não pode ser acusado e muito menos julgado. Mas fica alerta e, a partir daí, as operações dele acabavam.

“A Vida Dupla do Espião Traidor” é uma série para ouvir em seis episódios, que faz parte dos Podcast Plus do Observador. É narrada por mim, Ivo Canelas, e tem banda sonora original de Bruno Pernadas. O guião e as entrevistas são de Pedro Raínho. A sonoplastia é de Mariana Sousa Aguiar. O design gráfico é de Miguel Frazo Cabral. A edição é de João Santos Duarte e Tânia Pereirinha. A coordenação é de Miguel Pinheiro, Filomena Martins, Pedro Jorge Castro, Ricardo Conceição e Sara Antunes de Oliveira. Podcast Plus do Observador. É mais do que um podcast.

Os Podcast Plus do Observador têm o apoio da Kia.