Tá. Quando a Nintendo anunciou um spin-off de Splatoon focado em single-player com elementos de looter shooter eu fiz aquela cara de “interessante mas não sei se confio.” Porque toda vez que uma franquia multiplayer tenta criar uma experiência solo robusta, metade das vezes resulta naquela sensação de “campanha decorativa que existe só pra justificar o online.” E aí eu joguei Splatoon Raiders por um dia inteiro e a única coisa que pensei foi “por que a Nintendo demorou tanto pra fazer exatamente isso?”

Desenvolvido pela Nintendo EPD e publicado pela Nintendo, Splatoon Raiders chegou em 23 de julho de 2026 exclusivamente pro Nintendo Switch 2 por R$ 279,90 na versão digital. O Metacritic está em 83 com 86% de recomendação dos críticos. E eu entendo completamente esse número.

As Ilhas Spirhalite, a mecânica, e você como mecânica

Você é um mecânico que, em circunstâncias não completamente voluntárias, acaba naufragando nas misteriosas Ilhas Spirhalite, um arquipélago repleto de Salmonids hostis, missões de raid, recursos escondidos e segredos que o jogo vai revelando gradualmente. Acompanhando você ao longo da aventura está o trio do Deep Cut, que apareceu em Splatoon 3 e que aqui tem um papel narrativo mais desenvolvido do que qualquer presença que tiveram anteriormente.

A escolha entre Inkling e Octoling como personagem jogável é a abertura clássica da série, e cada um tem aquele charme visual específico de Splatoon que me faz parar pra customizar antes de sair pro campo porque OBVIAMENTE o visual importa tanto quanto a build. Aqui vai meu TDAH por um segundo porque o sistema de customização de esconderijo (seu quartel-general nas ilhas que você vai expandindo e decorando) é exatamente o tipo de feature que eu amo demais em jogos porque é ao mesmo tempo cosmético e narrativo e mecânico. Você constrói, você cresce, o lugar começa a parecer seu. Ok, voltando.

Monster Hunter com tinta. Sim, realmente.

Tem muitas formas de comparar o jogo com outros, por exemplo, Borderlands da Nintendo. Mas a mais honesta, é com Monster Hunter. Não no estilo visual ou na temática, mas na filosofia de loop de gameplay. Você vai nas raids, você derrota Salmonids, você coleta materiais e equipamentos, você faz upgrades, você volta com uma build melhor pra raids mais difíceis.

O que torna o loop funcionar melhor do que deveria é que as raids em si têm três formatos distintos que se alternam: sequências lineares, rodadas de resistência em área aberta, e masmorras multi-andar com boss no final. Não é a mesma coisa repetida infinitamente. É a mesma franquia de habilidades aplicada a situações suficientemente variadas pra que a cada missão você esteja pensando diferente sobre posicionamento, arma escolhida e como usar a tinta pra além do óbvio.

O sistema de armas é expandido: há mais opções e mais espaço pra customização de Gadgets com upgrades que mudam fundamentalmente o estilo de jogo. Cada ponto de habilidade desbloqueado por level up tem consequências reais. É aquele tipo de progressão que o CGMagazine descreveu como “difícil de largar”, e que um jogador do Metacritic confirmou com “tenho jogado no mínimo seis horas por dia desde o lançamento e o loop é incrivelmente viciante.”

O co-op que transforma tudo, de novo

Uma das decisões mais inteligentes do design: praticamente todo o conteúdo do jogo é jogável em co-op com até quatro jogadores, tanto online quanto local, com dificuldade ajustada de acordo com o número de participantes. Não é uma experiência separada do single-player, é o mesmo conteúdo com amigos. Isso resolve um dos maiores problemas de jogos assim: o abismo entre a experiência solo e a experiência co-op existindo como produtos diferentes. Aqui você pode ir e voltar entre os dois modos sem perder nada da progressão.

Visual, trilha sonora e a Nintendo no seu melhor hardware

O controle de Splatoon sempre foi melhor com giroscópio, e no Switch 2 isso se traduz em precisão que faz diferença real nas raids mais exigentes. Visualmente, o jogo mantém aquela estética vibrante de néon e cor saturada que é a identidade visual da franquia, e roda com fluidez impecável no hardware do Switch 2. A trilha sonora continua sendo um ponto alto: Splatoon sempre teve músicas de alta qualidade e Raiders não quebra essa tradição.

A questão do português do Brasil que precisa ser dita

E aqui chegamos na conversa que dói um pouco de ter. Splatoon Raiders não tem localização em português do Brasil. E isso, em 2026, depois de lançamentos recentes como Star Fox e Yoshi and the Mysterious Book chegarem com tradução completa pro português, é uma ausência que se sente mais do que sentiria em outro momento. Não é que o jogo seja impossível de jogar sem português: os controles são intuitivos e o gameplay fala por si. Mas as cutscenes, os diálogos do Deep Cut, os textos de lore das Ilhas Spirhalite… perdem uma camada de presença pra quem prefere ou precisa jogar na própria língua.

A Nintendo claramente está expandindo seu comprometimento com localização em português, o que torna a ausência aqui mais notável em vez de menos. É o tipo de decisão que espero que seja revista numa atualização futura, especialmente considerando o tamanho do mercado brasileiro de jogos Nintendo. Fica o pedido respeitoso: esse universo merece ser acessível pra todo mundo.

As ressalvas honestas além da localização

Os três biomas principais das Ilhas Spirhalite têm mais diferença de paleta de cores do que de design estrutural real, o que cria uma repetitividade ambiental que aparece nas sessões mais longas. É aquele “repetitivo mas viciante” que indica um loop bem calibrado mais do que um problema fundamental.

Alguns mapas de desafio opcionais foram descritos pelo Dual Shockers como “um pouco de bloat”, e há um salto de dificuldade depois das primeiras missões que pode pegar desprevenido quem não percebeu que o jogo espera que você retorne a missões anteriores pra acumular XP e upgrades. É design de looter shooter que vai frustrar quem joga como plataformer linear, mas que faz sentido dentro da filosofia do gênero.

O que críticos e a comunidade estão pensando

Com Metacritic de 83 e 86% de recomendação, o consenso é de um dos melhores exclusivos do Switch 2 até agora com ressalvas específicas e bem delimitadas. O Game Informer foi com elogio ao combate e à forma como o jogo “sunk its hooks” após os créditos. O CGMagazine chamou de “prova positiva de que a série pode evoluir além de suas raízes competitivas.” O Nintendo Life destacou o valor e a flexibilidade de estilo de jogo. O MobileSyrup foi o mais entusiasmado, chamando de favorito de 2026 até agora. Um usuário do Metacritic, provavelmente brasileiro pelo comentário em português, disse “Jogo incrível, com uma campanha robusta e um pós-game gigante”, o que captura bem o sentimento da comunidade que conseguiu jogar apesar das limitações de idioma.

Assista o trailer clicando aqui.

Prós:

  • Loop de looter shooter com tinta de Splatoon é genuinamente viciante e bem calibrado
  • Três formatos de raid que variam o ritmo sem perder a identidade da franquia
  • Co-op pra quatro jogadores em praticamente todo o conteúdo, local e online
  • Sistema de upgrade de Gadgets com customização que muda o estilo de jogo real
  • Deep Cut com mais presença narrativa do que qualquer jogo anterior
  • Visual vibrante rodando com fluidez impecável no Switch 2
  • Trilha sonora mantendo o nível alto da franquia
  • Preço de R$ 279,90 descrito como barganha pra o volume de conteúdo entregue
  • Pós-game extenso com desafios que se expandem além da campanha principal

Contras:

  • Ausência de localização em português do Brasil, especialmente notável após Star Fox e Yoshi chegarem traduzidos
  • Três biomas com mais diferença visual do que estrutural cria repetitividade ambiental
  • Salto de dificuldade que exige grind de XP pode pegar quem não está familiarizado com o gênero
  • Alguns desafios opcionais parecem conteúdo de preenchimento mais do que experiências criativas
  • Ausência de Turf War e multiplayer competitivo vai decepcionar quem vinha principalmente pra isso
  • Exclusivo Switch 2 limita o acesso de quem ainda não tem o console

Nota Final: 8/10

Splatoon Raiders é a prova de que spin-offs tem valor quando existem como resposta a uma pergunta real: “o que Splatoon seria se o foco fosse solo e progressão em vez de online competitivo?” A resposta é um looter shooter vibrante e viciante que pega o melhor da franquia e o coloca num contexto que inclui muito mais gente pra aproveitar. Não substitui o Splatoon 3. Não tenta. Mas é possivelmente a mais completa e mais variada experiência que a série já ofereceu num único pacote. A ausência de português do Brasil é uma oportunidade perdida pra um jogo com tanto potencial de audiência no país. Espero sinceramente que a Nintendo corrija isso num update. Porque esse universo das Ilhas Spirhalite merece ser explorado em todos os idiomas. Splatoon cresceu. E eu quero mais.