Os CTT vão reforçar a compra de ações próprias, programa visto como uma remuneração acionista, de 30 para 40 milhões de euros, no momento em que o Governo já fez saber que tenciona vender a posição de 0,24% que detém ainda na empresa. E promove este reforço numa altura em que anuncia a queda de 41,6% dos lucros do primeiro semestre, para 12,9 milhões de euros, sendo de 8,4 milhões os resultados do segundo trimestre. A redução do lucro foi de maior expressão que a descida nos resultados operacionais por via de alguns fatores extraordinários que os CTT acreditam não ser recorrentes.

É o caso dos custos da transação com a DHL e os custos de reestruturação, de 10 a 12 milhões. Os CTT e a DHL formalizaram uma parceria ibérica no setor das encomendas expresso no ano passado que ficou concluída este ano. Os resultados iniciais, segundo a empresa portuguesa, validam um potencial de sinergias de 17,5 milhões de euros, com 10% a realizar-se este ano, 40% em 2027 e 50% em 2028.

O “velho” parceiro DHL voltou para tornar os CTT num gigante ibérico de encomendas potenciadas pelo comércio eletrónico

Mas no primeiro semestre houve outro impacto que afetou a atividade dos CTT. A introdução na Europa a 1 de julho da taxa sobre as compras a países terceiros de 3 euros por categoria. Os CTT ficaram ainda mais expostos a este mercado de alfandegamento depois de adquirirem a espanhola Cacesa (Compañia Auxiliar al Cargo Express) por 104 milhões de euros.

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A partir de novembro deverá ser aplicada outra taxa (para já projetada em 2 euros) por encomenda para financiar o processamento aduaneiro. Além disso, também os Estados Unidos passaram a aplicar taxas a encomendas de baixo valor.

O que teve impacto neste negócio dos CTT já no primeiro semestre, por antecipação. As plataformas de comércio eletrónico chinesas, como a Shein e Temu, que são as principais afetadas, começaram a ajustar já os seus fluxos, transferindo os produtos da China para armazéns na Europa e daí expedidos para os consumidores, sem a taxa adicional. Por isso, a empresa acredita que o setor vai ajustar-se e que com tempo as quedas reverterão, já que haverá negócio ao consumidor que acabará por ser transferido para transações grossistas. “O novo quadro criará novas oportunidades na liquidação de volumes B2B, onde a Cacesa está bem posicionada, e em localização/fulfillment avançada”.

Temporário é a palavra usada pelos CTT para este fenómeno.

As receitas dos CTT no primeiro semestre atingiram 674,3 milhões de euros, mais 12,9% em termos homólogos. As soluções de comércio eletrónico registaram rendimentos de 343,6 milhões, incluindo o efeito da consolidação da Cacesa e DHL. O segmento correios e serviços atingiu receitas de 256,6 milhões, menos 2,7% porque há um ano tinha havido eleições que se refletiram nos rendimentos deste segmento.

Os custos operacionais cifraram-se em 633,3 milhões de euros, mais 15%. Os resultados operacionais ficaram assim em 41 milhões, menos 12,5%.

Os CTT indicam que os resultados operacionais recorrentes, no entanto, estão a “melhorar”.

A empresa dá uma projeção para os resultados operacionais (EBIT) recorrente de 115-125 milhões de euros para o conjunto de 2026. “O segundo trimestre de 2026 foi mais desafiante na Cacesa, mas estamos a gerir o processo de adaptação e identificamos oportunidades relevantes no desalfandegamento B2B e nas áreas de logística e fulfilment [quando o processo é concluído]”.

Os Correios têm também a área de banca, pela qual recebeu uma proposta de compra da espanhola Cajamar. O Banco CTT teve receitas no segundo trimestre de 37,6 milhões, mais 7,4%, atingindo um resultado bruto de 5,2 milhões no segundo trimestre, o que elevou os valores, respetivos, no semestre a 74,1 milhões e 10,5 milhões.