
Benefícios fiscais, subsídios, conselhos de trabalho, eventos: a despesa do Governo é excepcional – mas “o sucesso é notável”.
Gregos qualificados, “com estudos”, deixaram a Grécia na década passada.
A crise da dívida soberana, que começou em 2009, levou a uma combinação de factores que incentivou muitos profissionais qualificados a emigrar, destacando-se o desemprego muito elevado (aproximou-se dos 30%) especialmente entre os jovens, e os cortes salariais.
Ao longo da década 2010, estima-se que cerca de 700 mil gregos tenham deixado o seu país natal (a maioria para Alemanha e Reino Unido). Não viam futuro na Grécia. Foi mesmo o maior êxodo vivido num país da Europa desde o final da II Guerra Mundial, sublinha o Handelsblatt.
Médicos, engenheiros, cientistas, investigadores e profissionais das tecnologias de informação… que agora estão a voltar.
A inversão dessa “fuga de cérebros” já se começou a notar a partir de 2018, com a recuperação da economia e o crescimento de sectores como a tecnologia ou o turismo – além do teletrabalho, que fez com que os gregos voltassem à Grécia mas continuassem a trabalhar para empresas estrangeiras.
Mesmo assim, era preciso convencer mais gregos a voltar ao seu país.
Por isso, o Governo de Atenas tem investido de forma excepcional, destacando-se: benefícios fiscais, subsídios, conselhos de trabalho e eventos promocionais no estrangeiro para convencer os emigrantes.
Quem volta, paga metade do IRS ao longo de 7 anos; há subsídios para as empresas apresentarem salários mais altos a quem regressar.
E está a resultar. O sucesso é notável, como resume o jornal alemão: quase dois terços dos emigrantes voltaram nos últimos 7 anos.
Mas não são os incentivos, os benefícios ou os subsídios que convencem a maioria dos gregos: é a conexão.
Um estudo da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e do Centro Nacional de Documentação Grego mostra agora que os factores decisivos para o regresso são: laços familiares, qualidade de vida e conexão emocional com o lar. Sobretudo o regresso ao convívio com a família.
Até porque os salários na Grécia continuam a ser pouco apelativos, tendo em conta o contexto europeu: os trabalhadores qualificados ganham uma média de 43% menos do que a média da União Europeia. O salário médio bruto é de 26 mil euros por ano, um dos mais baixos da União Europeia.
O clima mediterrâneo, a natureza e a alta qualidade de vida são fatores essenciais para o regresso dos emigrantes.
Apenas 16% disseram que as vantagens fiscais são a razão principal para terem voltado.