A Jerónimo Martins fechou os primeiros seis meses com lucros de 260 milhões de euros, uma descida de 3,3% face ao período homólogo do ano passado, “num contexto geopolítico marcado pelo acentuar da incerteza e pela pressão acrescida sobre os custos, em particular os associados aos combustíveis“, que tornaram o primeiro semestre “bastante mais exigente do que o esperado”.


Em comunicado, enviado esta quarta-feira, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo indica que as vendas cresceram 5,1% para 18,3 mil milhões de euros, com a subida em termos Like-For-Like (LFL, ou seja, em termos comparáveis) a fixar-se em 1,4%.


Já o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) aumentou 7,6%, para 1,2 mil milhões de euros, com a respetiva margem a subir para 6,8% (contra 6,6% no primeiro semestre de 2025).


“Num contexto que, ao longo do semestre, se revelou bastante mais exigente do que o esperado, designadamente no que diz respeito à forte pressão sobre os preços alimentares e aos custos relacionados com combustível, as companhias do grupo apresentaram um desempenho resiliente e sólido”, diz o CEO da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, citado na mensagem que acompanha os resultados.

Num contexto que, ao longo do semestre, se revelou bastante mais exigente do que o esperado, designadamente no que diz respeito à forte pressão sobre os preços alimentares e aos custos relacionados com combustível, as companhias do grupo apresentaram um desempenho resiliente e sólido.

Pedro Soares dos Santos
CEO da Jerónimo Martins

Forte aumento de volumes alivia pressão de baixa inflação


Olhando por mercados, na Polónia, o maior, a Biedronka viu as vendas subirem 1,7% para 12,6 mil milhões de euros, entregando 68,7% das receitas totais do grupo. Com efeito, em termos LFL a subida foi apenas de 0,2%, “incluindo um significativo crescimento de cerca de 5% dos volumes, que compensou a enorme pressão da deflação verificada no cabaz”.


Já compatriota Hebe teve uma subida da faturação de 5% para 312 milhões de euros (+2,4% LFL).


Em Portugal – que nem responde por um quinto das receitas (18,3%) – as vendas do Pingo Doce aumentaram 5,3% para 2,7 mil milhões de euros, com o LFL de 3,7% (excluindo combustível) “suportado pelo forte crescimento dos volumes, num contexto de baixa inflação no cabaz que reflete também a competitividade de preço”. 


A cadeia de “cash & carry” Recheio, por seu turno, que foi “condicionada pela volatilidade decorrente das tempestades” no primeiro trimestre e sentiu um canal HoReca (hotéis, restaurantes e cafés) “menos dinâmico do que no verão passado” no segundo, elevou a faturação em 2,5% para 673 milhões de euros com o LFL a fixar-se em 1,3%.


Por fim, a Ara, na Colômbia, subiu vendas em 30,2% (LFL de 6,8%) atingindo 2 mil milhões de euros no semestre.


A Jerónimo Martins contava, a 30 de junho, com um parque composto por 6.558 lojas, das quais 59,4% da “marca da joaninha” Biedronka. Em Portugal, tinha 498 supermercados Pingo Doce, mais seis do que há um ano. Já o número de Recheio manteve-se em 43.


O programa de investimento atingiu no final do semestre um valor executado de 412 milhões de euros de um “envelope” de cerca de 1,2 mil milhões previsto para o exercício de 2026.

Perspetivas pouco animadoras


Para o resto do ano, as perspetivas da Jerónimo Martins não são muito animadoras. “No segundo semestre, a incerteza geopolítica, a baixa visibilidade macroeconómica e a pressão sobre a confiança dos consumidores deverão continuar a moldar o contexto em que as nossas insígnias operam”.


Pedro Soares dos Santos vai, aliás, mais longe: “Com a informação disponível neste momento, não antecipamos uma melhoria significativa no contexto de operação no segundo semestre em qualquer dos países onde temos atividade”.


E, neste sentido, realça, “o preço e as promoções manter-se-ão como o fator decisivo de compras alimentares dos consumidores, que estão no centro da estratégia de todas as nossas insígnias”.

Não antecipamos uma melhoria significativa no contexto de operação no segundo semestre em qualquer dos países onde temos atividade.

Pedro Soares dos Santos
CEO da Jerónimo Martins