A bolsa norte-americana fechou a sessão desta quarta-feira pintada de vermelho, no dia em que a Reserva Federal (Fed) manteve as taxas de juro, mas com o maior número de vozes discordantes desde 2016. Em mais um sinal de preocupação com a inflação, as “yields” das obrigações norte-americanas a 30 anos subiram.
O Dow Jones caiu 2,18% até aos 51.594,86 pontos, o S&P 500 recuou 1,35%, terminando o dia nos 7.328,82 pontos, e o Nasdaq Composite desceu 1,74%, encerrando nos 24.442,94 pontos.
Individualmente, registou-se mais um dia de “sell-off” nas empresas ligadas aos microchips, nomeadamente a Micron (-9,94%), a Nvidia (-3,55%), a Intel (-5,12%) e a SMCI (-9,67%).
A Fed manteve o intervalo da taxa de juro de referência entre 3,50% e 3,75%, numa das decisões mais renhidas dos últimos anos. Três membros do comité – Beth Hammack, presidente da Fed de Cleveland, Neel Kashkari, da Fed de Minneapolis, e Lorie Logan, da Fed de Dallas – votaram contra a decisão da maioria, defendendo antes uma subida de 25 pontos base. É o maior número de dissidências a favor de um aperto monetário desde setembro de 2016.
“A postura ‘hawkish’ não descarta completamente a possibilidade de subidas das taxas de juro já em setembro, mas ofereceu algum alívio a curto prazo tanto para as ações como para o rendimento fixo, no meio da elevada incerteza sobre o caminho a seguir da Fed”, disse Angelo Kourkafas, da Edward Jones, citado pela Bloomberg, completando: “As três divergências não foram surpreendentes, embora possam sinalizar a direção que a Fed seguirá caso as tensões geopolíticas persistam”.
A seguir ao fecho da bolsa em Nova Iorque, os investidores vão virar entretanto as atenções para os resultados do segundo trimestre da Meta e da Microsoft, um teste particularmente sensível depois de a Alphabet ter dececionado o mercado com os seus próprios números ligados ao investimento em inteligência artificial.
A chave para os investidores continua a ser perceber se os elevados investimentos em IA das grandes tecnológicas estão a gerar crescimento real ou apenas a pesar nos lucros. A Meta, por exemplo, já elevou o seu “guidance” de despesas de capital para 2026 para um intervalo entre 125 e 145 mil milhões de dólares.