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Eclipse total do Sol

12 de agosto de 2026 é o dia em que Portugal vai ver o Sol ser eclipsado totalmente pela primeira vez em 114 anos. Eis o que fazer se quiser eternizar o momento.

Por esta altura, já deve saber que vem aí o eclipse das nossas vidas, a 12 de agosto, o dia em que Portugal inteiro vai ter o privilégio — ao fim da tarde, por volta das 19h30 — de assistir ao primeiro eclipse solar total em 114 anos e o último para os próximos 100 anos, no mínimo.

Num momento como este, o instinto de muita gente pode ser pegar no telemóvel e desatar a fotografar, mas captar um eclipse solar total não tem nada a ver com tirar fotografias do seu cão ou da Lua numa noite “normal”.

Babak Tafreshi, fotógrafo do céu noturno e Explorador da National Geographic, reuniu algumas das lições que aprendeu ao documentar 13 eclipses nos sete continentes ao longo de três décadas.

1. Proteção dos olhos

A primeira grande preocupação, antes das fotos, deve ser a proteção dos olhos. Mesmo quando grande parte do Sol está tapada pela Lua, olhar directamente para o astro pode provocar lesões graves e permanentes. Durante as fases parciais, é indispensável usar óculos próprios para eclipses, milhares de vezes mais escuros do que óculos de sol convencionais.

No caso do eclipse total do próximo dia 12, os espectadores podem tirar os óculos durante os 26 segundos de cobertura total.

2. Proteção das câmaras

Tal como os nossos olhos, as câmaras, telescópios e binóculos também precisam de filtros solares adequados. Colocar óculos de eclipse diante de uma lente não é suficiente, uma vez que os raios concentrados pelo equipamento podem atravessar ou danificar o filtro. Não use óculos de sol, vidro fumado, películas fotográficas, radiografias nem filtros fotográficos ND comuns.

Apenas durante a totalidade, quando o Sol fica completamente ocultado, é seguro retirar a proteção. O filtro deve voltar a ser colocado assim que reaparecer a mais pequena parcela do disco solar.

Se fotografar com o smartphone, o ideal é cobrir todo o módulo de câmaras, porque alguns telemóveis mudam automaticamente de lente quando se aplica zoom.

Durante um eclipse parcial, mesmo que reste apenas uma pequena faixa solar, o filtro nunca deve ser retirado. No eclipse de 12 de agosto, a totalidade só será visível numa pequena zona do nordeste de Portugal, em Bragança. Em Lisboa e na maior parte do país, o eclipse será quase total, mas ainda assim parcial; nessas regiões, o filtro deve permanecer colocado do princípio ao fim.

3. Com que, como e o que fotografar

A escolha da objetiva depende do tipo de imagem pretendido. Uma grande angular permite integrar a paisagem, as nuvens, as cores do horizonte, pessoas, animais ou árvores. Durante a fase parcial, a luz que atravessa a folhagem pode projetar no chão dezenas de pequenos crescentes solares. Em locais elevados, também pode ser possível observar a sombra da Lua a avançar sobre a paisagem.

Uma teleobjetiva, por outro lado, é mais adequada para captar grandes planos da coroa solar, de proeminências e de outros pormenores da atividade do Sol.

Nos segundos que antecedem e sucedem à totalidade, pode ainda surgir o chamado “anel de diamante”, quando um ponto luminoso do Sol permanece visível junto de um fino círculo de luz.

Tafreshi recomenda distâncias focais entre 400 e 600 mm para imagens aproximadas e entre 14 e 20 mm para composições abertas.

Um tripé estável e um comando à distância ajudam a evitar vibrações. Desative o flash e limpe cuidadosamente as lentes antes de começar.

Na ausência de comando, pode usar-se o temporizador da câmara ou smartphone. O fotógrafo aconselha um ISO baixo, foco manual e tempos de exposição entre 1/2 e 1/10 de segundo, ou mais rápidos, ajustados às condições. Nas câmaras, a função de bloqueio do espelho reduz o risco de imagens tremidas. Num telemóvel, é aconselhável usar um pequeno tripé e fotografar em formato RAW, se possível.