Mark Witton

Reconstituição de exemplar de Musango matusadonaensis

O esqueleto quase completo de um dinossauro que viveu há 210 milhões de anos revela uma diversidade até agora desconhecida nos ecossistemas do sul de África, numa fase inicial da expansão destes animais pelo planeta.

Um fóssil de dinossauro descoberto no Zimbabué está a fornecer novas pistas sobre a forma como estes animais se diversificaram e sugere que se espalharam por diferentes ecossistemas do sul de África, anunciaram esta quarta-feira, 29, os cientistas.

A identificação da espécie Musango matusadonaensis baseia-se num esqueleto escavado em 2018 nas margens do lago Kariba, no norte do Zimbabué. Segundo os investigadores, trata-se do quinto dinossauro identificado no país.

O animal viveu há cerca de 210 milhões de anos, numa época em que os dinossauros começavam a espalhar-se pelo planeta, mas ainda não se tinham tornado os animais terrestres dominantes, explicou a equipa internacional de paleontólogos responsável pela descoberta.

Os resultados da investigação foram apresentados num artigo publicado na Journal of Systematic Palaeontology.

Ao contrário dos dinossauros de pescoço comprido que evoluíram milhões de anos mais tarde, o Musango tinha uma constituição relativamente leve. Media cerca de 4,5 metros de comprimento e pesava cerca de 222 kg, o equivalente a um porco adulto.

“Até recentemente, acreditava-se que os dinossauros que viviam no sul de África eram, em grande medida, os mesmos”, afirmou Paul Barrett, investigador do Museu de História Natural de Londres e primeiro autor do artigo.

A descoberta sugere, no entanto, que a região era constituída por vários ecossistemas, cada um habitado por diferentes espécies de dinossauros.

“Isto sugere que aquilo que encontrámos até agora é apenas a ponta do icebergue”, acrescentou Barrett.

O fóssil está entre os esqueletos de dinossauro mais completos deste período encontrados no Zimbabué. Inclui ossos preservados da coluna vertebral, costelas, braços, pernas e pés.

Os investigadores estimam que o Musango tivesse cerca de oito anos e estivesse quase completamente desenvolvido quando morreu. Os ossos revelaram ainda que o animal tinha recuperado de uma lesão grave ou de uma infeção.

Em 2022, cientistas do Zimbabué descobriram os restos do dinossauro mais antigo de África, que viveu há cerca de 230 milhões de anos.