De Jesús Maturana & Euronews
Publicado a 30/07/2026 – 16:43 GMT+2•Últimas notícias
20:32
A Espanha anunciou na quinta-feira que iria enviar tropas para o seu enclave norte-africano de Ceuta, a fim de reforçar a segurança, após a chegada de centenas de migrantes, alguns dos quais nadaram à volta da vedação fronteiriça para chegar ao território.
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À medida que o número de chegadas continuava a aumentar, o presidente regional de Ceuta, Juan Jesús Vivas, instou o governo espanhol a declarar uma emergência nacional e a assumir o controlo da gestão da situação na cidade autónoma. Apelou também a recursos e financiamento adicionais, afirmando que os serviços locais se encontravam sob forte pressão.
O Ministério do Interior descartou inicialmente essa opção, afirmando que os regulamentos de proteção civil de Espanha não classificam os fluxos migratórios como um risco abrangido pelo Sistema Nacional de Proteção Civil.
Ao final da tarde desta quinta-feira, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que se deslocará na sexta a Ceuta, acompanhado pelo ministro do Interior.
Segundo a imprensa italiana, o gabinete da primeira-ministra Giorgia Meloni estará mesmo nesta altura a avaliar suspender o Tratado de Schengen com Espanha, na sequência da chegada dos milhares de migrantes de Marrocos.
Espanha e Marrocos chegam a acordo sobre um processo acelerado de repatriamento
Ao início da tarde, Espanha e Marrocos chegaram a um acordo para o repatriamento urgente dos migrantes que atravessaram a fronteira para o enclave espanhol de Ceuta na quinta-feira.
Milhares de pessoas entraram em Ceuta vindas de Marrocos na quinta-feira, nadando ou utilizando dispositivos insufláveis para chegar à praia de Tarajal, sobrecarregando os agentes da Guarda Civil.
Na areia ficaram para trás os vestígios da travessia: barbatanas, dispositivos de flutuação e fatos de mergulho. A maioria dos que chegaram são homens jovens, embora também haja mulheres e crianças entre aqueles que fizeram a travessia nos últimos dias.
O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, estima que a média recente tenha sido de cerca de 300 chegadas por mar por dia e alerta que o número continua a aumentar. Mais de 60 pessoas morreram ao tentar a travessia nos últimos 12 meses.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que o seu governo está “totalmente empenhado em dar uma resposta imediata à situação em Ceuta” e que iria colaborar com as autoridades marroquinas para “restaurar a normalidade o mais rapidamente possível”.
O Ministério do Interior sugeriu também que as redes de tráfico de seres humanos poderão estar a aproveitar-se de uma recente decisão judicial para incentivar a chegada de migrantes indocumentados, na sua maioria jovens do sexo masculino.
A decisão estabelece que as pessoas que entram a nado, sem transpor qualquer barreira física da vedação fronteiriça, não cumprem os requisitos legais para a rejeição imediata na fronteira sem que seja aberto um processo individual. Consequentemente, muitos dos que atravessam Tarajal não podem ser repatriados de imediato.
Marrocos atribui a culpa a organizações criminosas
A embaixada de Marrocos em Madrid atribuiu a culpa pelas chegadas em massa a organizações criminosas envolvidas no tráfico de seres humanos e no contrabando ilegal de migrantes, descrevendo a cooperação com a Espanha em matéria de migração como exemplar.
Fontes diplomáticas marroquinas insistem que as recentes tentativas de entrada irregular não refletem qualquer intenção por parte das autoridades de Rabat de facilitar esses movimentos.
Fontes da Guarda Civil em Ceuta, no entanto, questionaram a extensão dessa cooperação.
Afirmam que a assistência da Gendarmerie marroquina no terreno tem sido limitada e insuficiente para conter a pressão na fronteira, apesar da afirmação do governo espanhol de que está a haver uma cooperação ativa por parte de Marrocos.
Espanha e Marrocos acordaram na quinta-feira em reforçar a coordenação entre os dois países e rever os procedimentos, a fim de acelerar, tanto quanto possível, o regresso das pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta. Por enquanto, não foi definido qualquer calendário específico para a implementação destas medidas.