As principais praças norte-americanas fecharam no verde, impulsionadas pelo setor tecnológico, com os investidores a procurarem ações que consideram estar subvalorizadas – o chamado “buy the dip” – na perspetiva de que o mercado de inteligência artificial, que impulsionou o mercado para máximos, ainda tem espaço para crescer.


O Nasdaq Composite cresceu 2,78%, para 25.122,18 pontos, tendo o Nasdaq 100 registado a melhor sessão desde abril de 2025, crescendo 3,36% para 28.106,35 pontosJá o S&P500 aumentou 1,66% para 7.437,63 pontos, e o Dow Jones – que, na quarta-feira, registou a pior sessão desde abril de 2025 – ganhou 1,19%, situando-se nos 52.209,57 pontos.


Nos principais movimentos, destacou-se a Microsoft, que pulou 15,51% após apresentar os resultados na quarta-feira, ultrapassando as expectativas dos analistas nas receitas com um aumento de 18%, enquanto a Bloom Energy e a CoreWeave dispararam mais de 20% cada, recuperando de quedas acentuadas nas semanas anteriores. A Oracle viu ações dispararem mais de 8% na sequência da expansão da sua parceria com a Google Gemini AI.


Na lista de maiores crescimentos do dia esteve também a Micron, que quebrou um ciclo de perdas, aumentando 18,36% nesta quinta-feira, e a Sandisk, que subiu 25,99%. Já a Meta caiu 7,95%, na sequência de uma apresentação de resultados, na quarta-feira, que desiludiu os investidores. A dona do Facebook e do Instagram antevê receitas no próximo trimestre situadas entre os 61 e os 64 mil milhões de dólares, cuja linha intermédia fica abaixo da expectativa dos analistas citados pela Bloomberg, que apontava para 63,2 mil milhões de dólares. Isto apesar de a tecnológica ter revelado já ter comprometido quase 700 mil milhões de dólares em despesas futuras ligadas a data centers de IA e computação em nuvem.


As atenções viram-se agora para os resultados da Apple e da Amazon, divulgados a seguir ao fecho da sessão de Wall Street, na expectativa de mais pistas sobre o rumo das “Sete Magníficas”, grupo que tem ficado aquém do desempenho do mercado mais alargado este ano, em clima de dúvidas sobre se os montantes investidos em inteligência artificial vão compensar. “Apesar da volatilidade de curto prazo, as perspetivas para as ações norte-americanas mantêm-se construtivas, sustentadas por resultados empresariais fortes, pela contínua adoção da IA, por uma economia resiliente e por condições financeiras favoráveis”, afirmou Sameer Samana, da Wells Fargo Investment Institute, citado pela Bloomberg.


Os Estados Unidos viram a sua economia abrandar no segundo trimestre do ano, com o produto interno bruto (PIB) a crescer apenas 1,5%, menos 0,6 pontos percentuais do que os 2,1% registados nos três primeiros meses do ano. Em simultâneo, o índice de preços das despesas pessoais de consumo (PCE) dos EUA, referência para a Reserva Federal (Fed) como indicador de inflação nos EUA, subiu 3,7% em junho, comparativamente com o período homólogo do ano anterior. A Fed, recorde-se, anunciou na quarta-feira a manutenção das taxas de juro.