Especialistas recuperam ossos frágeis de um mamute-lanoso e investigam se terá sido o Danúbio a arrastá-los até Ryahovo.

Poucos dias depois de a água, em mínimos históricos, ter deixado a descoberto destroços de navios com décadas ao longo do Danúbio, o mesmo rio revelou algo mais antigo, a centenas de quilómetros rio abaixo, na Bulgária.

Um habitante das imediações da aldeia búlgara de Ryahovo avistou grandes ossos na margem do Danúbio. Fotografou os restos e enviou as imagens às autoridades locais.

Segundo a agência noticiosa búlgara BTA, essas imagens levaram especialistas do Museu Regional de História de Ruse até ao local, onde identificaram os restos como pertencentes a um mamute-lanoso.

As equipas que trabalham no local já retiraram uma mandíbula, duas defesas, uma omoplata e algumas costelas, e é possível que parte do esqueleto continue enterrada ali perto.

Os investigadores sublinham a dimensão do animal que poderão estar a desenterrar: segundo a BTA, este mamute-lanoso adulto poderá ter atingido quase 4,9 metros de altura e pesado 7 a 8 toneladas. De acordo com a Britannica, os mamutes adultos mediam habitualmente entre 3 e 3,7 metros.

A origem da espécie remonta a algures entre os 500.000 e os 800.000 anos, quando o clima da região era muito mais frio. A espécie acabaria por desaparecer há cerca de 7.000 a 10.000 anos, ainda que grupos isolados tenham sobrevivido até há cerca de 4.000 anos.

Depois de tanto tempo submersos, os ossos começaram a degradar-se agora que estão de novo ao ar livre, o que obriga a equipa de escavação a agir com um cuidado redobrado para manter tudo intacto durante o transporte e a conservação.

Como este animal em concreto foi ali parar é algo que ainda está por esclarecer, e os investigadores levantaram duas hipóteses.

Krasimir Kirov, curador do Departamento de Natureza do museu, sugere que este troço da margem poderá funcionar como uma espécie de bacia de deposição natural, um ponto onde a corrente do Danúbio foi lentamente a acumular e a largar os restos de vários animais ao longo de muito tempo.

O investigador ressalva, no entanto, que alguns dos restos também poderão pertencer a animais que viveram efetivamente na região.

O diretor do museu, Nikolay Nenov, destaca um padrão diferente neste achado em particular.

Outros restos de mamute encontrados nas proximidades costumavam aparecer dispersos pelos sedimentos do rio e tiveram de ser retirados com recurso a equipamento de dragagem.

Neste achado, porém, os ossos estavam agrupados num único ponto, um pormenor que abre a possibilidade de o animal ter morrido no exato local onde foi encontrado, talvez num pântano que outrora poderá ter coberto a zona.

Os investigadores estão também a analisar a cor dos ossos em busca de pistas, já que restos que escurecem para tons de preto ou castanho profundo indiciam por vezes um ambiente pantanoso à data da morte.

A equipa sublinha, contudo, que esta ligação continua por provar e que a cor, por si só, não basta para responder à questão.

Continua por esclarecer se este mamute morreu naquela margem ou se simplesmente ali deu à costa. A equipa espera que a continuação da escavação ajude a esclarecer a questão.