Um novo estudo publicado na revista científica Nature Communications confirmou que a Cratera Silverpit, localizada no fundo do Mar do Norte, foi formada pelo impacto de um asteroide há cerca de 45 milhões de anos. A descoberta, conduzida por pesquisadores da Universidade Heriot-Watt, coloca fim a um debate científico que se estendia por duas décadas sobre a origem da estrutura submarina.
Segundo os pesquisadores, a colisão ocorreu quando um corpo celeste atingiu a região vindo do oeste em alta velocidade. O impacto escavou uma cratera de aproximadamente três quilômetros de diâmetro, atualmente localizada a cerca de 700 metros abaixo do leito marinho, na costa da Inglaterra.
Além da formação da cratera, a enorme energia liberada lançou uma coluna de água e fragmentos de rochas para a atmosfera. Quando esse material retornou à superfície, desencadeou um tsunami devastador, com ondas que ultrapassaram os 100 metros de altura, transformando a paisagem submarina da bacia do Mar do Norte.
Evidências encerram debate científico
Como repercutido pela Gazeta do Povo, para confirmar a origem da Cratera Silverpit, os pesquisadores recorreram a imagens de ultrassom do subsolo e à análise de rochas obtidas em poços de petróleo da região.
O estudo identificou a presença dos chamados “minerais de choque”, estruturas que apresentam deformações microscópicas produzidas apenas sob condições extremas de pressão e temperatura. Segundo os cientistas, essas características são típicas de impactos de corpos celestes e não podem ser reproduzidas por processos geológicos comuns da Terra, como o deslocamento de camadas de sal.
Essas evidências permitiram confirmar definitivamente que a cratera foi causada pelo impacto de um asteroide, encerrando as dúvidas que persistiam desde sua descoberta.
Embora o objeto responsável pela colisão tivesse aproximadamente 160 metros de diâmetro, sendo muito menor do que o asteroide de Chicxulub, associado à extinção dos dinossauros, sua energia foi suficiente para provocar grandes alterações ambientais na região. De acordo com o estudo, o impacto devastou áreas costeiras da época e modificou permanentemente a configuração do fundo marinho.
Um laboratório natural no fundo do mar
Os pesquisadores destacam ainda que crateras preservadas sob os oceanos são extremamente raras. Enquanto centenas de estruturas de impacto já foram identificadas em terra firme, menos de 40 crateras marinhas são conhecidas atualmente, já que a erosão e a movimentação das placas tectônicas tendem a apagar esses registros ao longo do tempo.
Com isso, a Cratera Silverpit passa a representar um importante laboratório natural para futuras pesquisas, permitindo que cientistas compreendam melhor os efeitos de impactos de asteroides sobre o planeta e aprimorem estudos voltados à previsão dos danos que eventos semelhantes poderiam causar no futuro.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes